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Recuos e outros

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Já se vão mais de 70 anos quando nossa família se mudou para um sítio na Avenida Fernandes Lima. Saímos da Praça Gonçalves Ledo, onde nasci, para uma modesta casa de taipa, antes destinada ao empregado do antigo proprietário. O objetivo era poupar recursos para construir nossa residência definitiva. O alinhamento dos diversos sítios ainda é o mesmo que lá se encontra e o recuo imposto pela Prefeitura de Maceió para as novas construções era de 8 m (oito metros). Os administradores municipais com certeza pensavam no seu alargamento num futuro não tão distante. As novas residências proliferaram e eram, antes do advento de Oscar Niemayer, em estilo chamado bangalô, muito aceito pela sociedade de então. O termo bangalô é derivado do inglês bungalow cuja origem etimológica é do dialeto indiano concani, bangló . A terra de Ghandi foi por muito tempo explorada pelo império britânico daí se ter importado por influência dos ingleses (era chique), muito de seus costumes. Entre nós, esse estilo de residência possuía varanda alpendrada, pretensamente pitoresca e geralmente construída nos bairros das cidades, fugindo dos estilos mais antigos. Era uma inovação. Os arquitetos e engenheiros da época usavam e abusavam do bangalô. Entre os profissionais que aqui exerciam suas atividades, podemos citar Manoel Messias de Gusmão, Carlos Piatti, Joaquim Diegues Junior, Aloysio Freitas Melro entre outros. Quem cresceu como eu moleque jogando futebol na Fernandes Lima ao transitá-la hoje em dia fica imaginando e buscando solução para resolver o caos que vez em quando nela se instala. Disciplinar em horário noturno o trânsito com caminhões de carga? Mas se no seu entorno predomina o comércio? E o que fazer das paradas dos coletivos se até não há mais qualquer obediência ao recuo previsto pela Prefeitura? Já se constrói no paramento da avenida! Também depois da última ampliação da Assembleia Legislativa ninguém obedece mais qualquer código de obra. Está atrasado o planejamento do Maceió presente e futuro. Resolve a avenida no apertado Vale do Reginaldo? Creio que não será mais do que um paliativo, desses quando se constroem viadutos e para adiante se transferem os problemas. A orla já está exigindo estudos técnicos oceanográficos para a futura engorda da faixa litorânea. Convém lembrar que esses estudos demandam muito tempo. Mas agora se pergunta: estudos dão votos? Esperamos que os primeiros VLTs a transitar em Maceió venham atenuar parte do transporte de massa em nossa Capital e que por ele os administradores ponham a cabeça para planejar. São passados mais de 33 anos quando em Brasília defendi o uso desses metrôs de superfície. É muito tempo!. (*) É engenheiro civil.

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