Opinião
Olvido e impunidade
Inegavelmente existem casos policiais difíceis de resolver. Alguns são exemplos históricos de insolubilidade, atravessando séculos como um sangrento sinal de interrogação. Como as ocorrências atribuídas a Jack, o estripador, que lançam uma bruma de incompetência (injusta) sobre a conceituada Scotland Yard desde o segundo semestre de 1888. No caso da tradicional polícia britânica a não-resolução do problema é uma exceção, pois a eficiência (além da discrição) é uma marca daquela instituição. No caso de polícias onde a eficiência é algo historicamente polêmico, um crime insolúvel, ao ser ?apenas mais um?, tem um significado ainda mais danoso para toda a sociedade, pois contribui para a banalização da criminalidade e da impunidade. O assassinato de Fábio Acioli é um desses episódios que marcam negativamente toda a sociedade, extrapolando a tragédia pessoal e, por que não dizer, policial. Trágica é toda a realidade do caso Fábio Acioli, extrapolando o drama da família do jovem trucidado e alcançando a autoridade policial alagoana, que, enquanto instituição, está com seu prestígio inegavelmente arranhado. Sequer está esclarecida a motivação para crime tão cruel. Na escuridão dessa questão inicial prosperou uma verdadeira indústria de boatos, espalhando suspeitas infundadas sobre supostas causas e supostos personagens. Sem nada comprovado que possa ajudar no esclarecimento de tamanha violência, o cenário passa a expor apenas vítimas. A situação do cidadão tido como testemunha e depois arrolado como suspeito é emblemática: preso durante um ano, teve sua vida e reputação destroçadas. Irreversivelmente punido, sem julgamento, é mais uma vítima da incapacidade do poder público em responder ao crime. E agora? Será o olvido e a impunidade o destino de um crime tão monstruoso?