Opinião
Museus um Brasil que recusa pagar ingresso
O crescimento do número de museus no Brasil, na última década, é proporcional às mudanças nas políticas culturais. Tratados, genericamente, como equipamentos culturais, os museus passaram a exercer interação com a sociedade e, notadamente, com o mundo científico. A transformação do DEMU - Departamento de Museus em um Instituto elevou o nível da sistematização do segmento e promoveu ações de divulgação coletiva, como as chamadas ?Semanas Nacionais e Museus?.É claro que os efeitos destas mudanças, num país de dimensão continental passa pela falta de profissionais do setor. Mas os museus dependem de investimentos, manutenção e preservação. Mesmo seu circuito permanente precisa causar interesse e expectativa. Sua folheteria precisa ser farta. O atendimento ao público deve ser profissional. Seus horários precisam ser mantidos. Enfim todo um aparato que custa dinheiro. Dinheiro esse que precisa ser obtido através de patrocínios, lastreado em projetos bem elaborados, onde a marca do investidor brilhe.Afora isso, vêm os produtos de balcão, desenvolvidos com a marca do museu e o principal: a bilheteria. Este último, em Alagoas, não passa dos 2 reais, com gratuidade para as escolas públicas.Mesmo assim, o valor irrisório ainda chega a ser preterido pelo visitante. A compra de ingresso para um museu é contabilizada, por muitos brasileiros, como uma despesa e não como um investimento cultural em si mesmo.Por isso não é raro encontrar a sobra de um grupo de turistas recolhido sobre uma marquise qualquer, acuado para não pagar a entrada. Viajantes da terceira idade, com pensões que lhes permitem andar de avião e ficar em um bom hotel, chegam alegando essa condição, como se fossem pensionistas de salário mínimo. Não é, simplesmente, a falta de hábito de visitar um museu, mas o descaso pelos assuntos da cultura, sobretudo no Brasil e, particularmente, no Nordeste, onde as belezas naturais tomam o primeiro plano. Registre-se que ninguém visita um museu europeu sem desembolsar, pelo menos 8 ou 10 euros. Conhecer todos os museus do Vaticano custa no mínimo 38 euros,sem ter direito a fotografar ou filmar. Lá fora, as bilheterias são um negócio, com sites para reservas antecipadas, cobrança especial de um guia, taxa para elevador, banheiro e tudo mais. É assim que funciona O ingresso de um museu representa uma forma de contribuição à manutenção e preservação para continuar existindo. Portanto, não é uma despesa comum como a taxa do estacionamento do carro, que aqui em Maceió chega até 5 reais. (*) É escritor.