Opinião
Depois das imagens
Num primeiro momento a imagem parece ser recorrente; afinal quem já não cansou de ver no cinema alguém atirar em alguém? A perplexidade vem em seguida: as imagens serão autênticas? Um homem atira em outro, o ferido tenta fugir sem sucesso; alvejado nas costas, inerte no chão, recebe mais um disparo. É tudo autêntico. Não é nenhum filme de ficção sobre pistoleiros. Todas as cenas são reais, capturadas no município alagoano de Roteiro. A vítima chamava-se Genivaldo Barbosa da Silva, vereador naquele município. O crime aconteceu no dia 20 de agosto de 2010. Infelizmente assassinatos não são novidade aqui ou alhures, mas ter essas ocorrências gravadas é algo que merece reflexões adequadas. Descartado o choque de ver um assassinato, é positivo o uso da tecnologia para monitoração pública. Se o equipamento oferecer uma qualidade superior de gravação, será possível avançar bastante na identificação do criminoso a partir das cenas registradas. Isto é o que é mais significativo. Nos países mais avançados as câmeras de vigilância têm contribuído decisivamente para a elucidação de vários tipos de crimes, desde o terrorismo ao contrabando, passando por sequestros e assassinatos, sem deixar passar contravenções mais corriqueiras como infrações de trânsito. Embora George Orwell tivesse previsto para 1984 um asfixiante sistema de observação (com total invasão de privacidade), a tecnologia para tal já não era novidade muito antes daquela data. Hoje os sistemas de monitoramento têm algo muito mais importante ao oferecer à sociedade que bisbilhotar o existente por baixo dos edredons. É hora de utilizar essa tecnologia para resolver os crimes, porque assistir a imagens sangrentas não é novidade. Depois da exibição das cenas do assassinato em Roteiro, qual será a próxima atração? A apresentação do bandido seria o ideal.