Opinião
Nomen est omen?
O patriarca Abraão vivia angustiado. Velho fogoso, enterrado nos desertos inóspitos conseguiu engravidar várias escravas, inclusive a mais linda de todas, que atendia pelo nome de Hagar. Com tudo em cima, só não conseguia inseminar Sara, sua velha companheira. Abraão era homem de bom coração onde sempre cabia mais uma. Jeová, que tinha o coração maior do que todos, condoeu-se e permitiu que Sara tivesse um filho (mesmo aos 90 anos!), Isaac, pai de Israel. O fato é que, dos muitos filhos que gerou, Abraão teve dois famosos: o filho de Sara (Isaac) e Ismael, o da sedutora Hagar. Escrava e filho, por causa dos ciúmes de Sara, foram expulsos da comunidade. Os árabes vêm dessa cepa. A Isaac se atribui a origem dos judeus. Saulo era um implacável perseguidor dos primeiros cristãos. Contam as escrituras que a caminho de Damasco teria sido atingido por um raio e ficado cego. Mas a misericórdia divina, abriu-lhe uma janela terapêutica que lhe permitiu recuperar-se e, enfim, tocado por Deus, tornou-se o grande apóstolo, autor das cartas mais lidas do mundo. O tempo passou. Eis que o destino uniu em uma só família Israel e Saulo, traquinos filhos da ministra (agora, ex) Erenice Guerra, braço direito e amiga de todas as horas da candidata Dilma Rousseff. Provando a presença de Deus, num momento de inspiração divina, uma mãe nomeia dois filhos com nomes bíblicos. Bela família! Israel e Saulo, por ironia do destino, fogem do modelo bíblico e negam a tradição romana (Nomen est omen = O nome é o presságio). Preferem seguir os paradigmas do atual governo, já testados e consagrados no mensalão. Com efeito, os filhos da piedosa ministra sabem que essa filiação vale ouro. Urge aproveitar. São lobistas gulosos. Cobram propinas caras, hoje eufemisticamente chamadas de ?taxas de sucesso?. É mais uma quadrilha de parentes e aderentes a assaltar o erário. Pilombetinhas, se comparados aos grandes traficantes de influência do atual governo, não custa lembrar que os garotos Guerra agiam desde que a titular da pasta era a amiga e confidente Dilma Rousseff. Desde e sempre cotada para continuar junto da amiga virtualmente eleita, e diante das evidências de formação de gangue, a demissão de Erenice tornar-se-ia inevitável para solucionar dois problemas: 1) Espantar a possibilidade de virem à tona detalhes picantes de sua suposta explosiva vida afetiva; 2) Escancarar de vez as portas do Gabinete Civil para o ladino Zé Dirceu. (*) É médico e escritor.