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Opinião

Debate pol�tico

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Dura é a nossa realidade democrática. Enquanto a classe política defende-se de acusações mútuas, nos ares da pátria amada flutua o sentimento de que tudo não passa de mentiras e interesses vis. Paira a sensação de que tudo é permitido para enganar o povo. Nesse ambiente cético, grassam o medo e a desesperança. A sociedade deveria levantar a cabeça e mudar as cores desse quadro, mas a alienação desvia o olhar da paisagem. Sem cobrança, o País cai em estado de abandono e abre espaços para a insensatez, de onde avultam a concentração da renda, a pobreza e a miséria. Diante de tudo isso, é lamentável que até agora os principais candidatos a presidente não tenham apresentado propostas que visem solucionar estas questões. Ao que parece, eles não demonstram ter independência e/ou vontade para contrariar o nosso anacrônico sistema democrático-político-jurídico. Por isso, as ideias necessárias para mudar esse quadro não vêm à tona, e ficamos condenados à mesmice do debate. Como esse cenário não interessa à nação e ao País, resolvi apresentar ideias para, ao menos, atenuar esses problemas. Elas visam fortalecer nossas instituições fiscalizadoras e proteger o setor público contra as paixões exacerbadas do homem: (1) As leis que tipificam os crimes e as punições dos partidos e dos políticos seriam criadas por um grupo de pessoas desvinculadas da militância partidária e do poder político; (2) O Ministério Público, os Tribunais de Contas, o Banco Central e a Polícia Federal seriam também desligados do poder político, inclusive por critérios de indicação (4º Poder? A sociedade dirá); (3) As campanhas eleitorais seriam financiadas apenas pelos partidos políticos. A lei fixaria um teto para o valor da contribuição, e só permitiria que o cidadão contribuísse para uma única ideologia política. Entendo que os nossos representantes políticos fazem o que fazem porque apostam na tolerância do sistema que eles ajudaram a produzir e dele se beneficiam. Acredito que, com essas reformas, eles modificarão seu modo de ser. A fim de conquistar simpatia e votos, não mais poderão contar com o apoio interesseiro do poder econômico nem com a omissão das instituições fiscalizadoras. Se quiserem eleger-se, ou se reeleger, terão de dirigir sua inteligência e seus esforços para a realização do bem-comum. Enfim, se quiser defender a democracia, nossa sociedade precisa radicalizar na aprovação destas ou de propostas similares, caso contrário, a realidade política jamais mudará. (*) É contador.

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