Opinião
Ci�ncia e justi�a
Nos Estados Unidos, neste ano, um exame de DNA inocentou três homens condenados pelo estupro e morte de uma mulher, crimes ocorridos em 1979. Infelizmente, um dos injustamente condenados morreu na prisão, depois de 23 cumprindo a pena indevida. No caso americano, três homens, Ruffin, Bivens e Dixon foram presos, processados e condenados pelo estupro e assassinato de Eva Gail Patterson em 1979. Os três declararam uma mentira por causa das torturas psicológicas sofridas e para evitarem a pena capital, o que poderia advir, pela legislação do Mississipi, no caso de serem condenados sem confessar os crimes a eles atribuídos. Larry Ruffim morreu em 2002, de ataque cardíaco, em sua cela. Com a revisão do caso, em função das provas coletadas através do DNA do verdadeiro agressor recolhido junto ao cadáver, Bivens e Dixon foram inocentados formalmente e libertados na quinta-feira, 16 de setembro de 2010. Dixon já havia saído da prisão três semanas antes, por estar com câncer. Uma tragédia sem final feliz, apesar do esclarecimento tardio. Mesmo para os dois que sobreviveram ao cárcere, pois os 23 anos de prisão jamais poderão ser recompensados. Mas o caso reforça a importância fundamental de um maior investimento nas técnicas e ciências forenses e policiais. Esse investimento tem de ser realizado para além dos compromissos de campanha e para além dos discursos corporativos e sindicalistas. A ciência forense e policial é uma conquista cidadã. Não sem motivo que uma série televisa (CSI) centrada nas técnicas científicas da polícia americana, faz sucesso em todo o mundo, resolvendo casos complexos em tempo hábil, identificando criminosos e inocentando suspeitos injustamente apontados. Infelizmente, o uso adequado dessas ferramentas da ciência e da inteligência ainda é ficção. Principalmente no Brasil.