Opinião
O grito dos exclu�dos
Faz 188 anos que o Brasil conquistou sua independência. Dom Pedro I, portador de um temperamento explosivo, sem avaliar as consequências que poderiam ocorrer, resolveu dar o brado do Ipiranga, que simbolizou a nossa independência do domínio de Portugal, segundo a História. Os tempos passaram-se. Cai a monarquia e chega a República. Surge anos após o governo autoritário, respaldado no direito da força. Anos depois o povo organiza-se e fortalece o regime democrático, com destaque para o direito de expressão, o ir e vir com liberdade de locomoção, a cidadania sem restrição e os direitos humanos sem opressão e censura. Hoje somos credores e jamais devedores de países amigos. O biônimo segurança/desenvolvimento não tem andado junto com seus elementos porque a insegurança, o terror e o narcotráfico têm aumentado de maneira assustadora em todo território brasileiro. Hoje em dia mata-se mais no Brasil do que mesmo no Iraque, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Bom seria esquecermos o vizinho e nos preocuparmos com a nossa casa, através de uma política de segurança pública moderna com ações mais preventivas e repressivas resultantes de um serviço de inteligência qualificado. No nosso País há uma classe que pouca assistência tem recebido, para a qual o poder público quase nada tem realizado, conhecida mundialmente pelo nome de excluídos. Forma um bloco de pessoas desprovidas do mínimo apoio necessário para a sobrevivência do ser humano, a quem é negado tal direito pela maioria das autoridades constituídas. A Igreja de Roma, ao longo dos tempos, sempre teve preocupação com os menos favorecidos. Tanto é assim que a Encíclica Rerum Novarum, que traduzida ao pé do texto significa coisas novas, datada de 1891, escrita pelo papa Leão 13, considerada a precursora da CLT, esta idealizada e defendida pelo socialista Lindolfo Collor, apresentou reforma de justiça social mais humana e cristã para as pessoas oprimidas e sem destaque na sociedade, sobretudo para o operariado. Essa mesma encíclica, porém, defendia o direito da propriedade privada, o que não acontece com a militância do Movimento Sem Terra, cujos componentes invadem sem piedade as terras particulares e ainda intimidam os legítimos proprietários das glebas invadidas, praticando inclusive ações delituosas contra as pessoas, até mesmo assassinatos. Portanto, chegamos à conclusão que ainda não podemos, nem devemos cantar com toda ênfase: ?já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil.? Resta-nos aguardar que um dia, que poderá ser hoje ou amanhã, a nossa Pátria, tão rica e poderosa, não venha ter o destino de Golias, que tombou com o impacto de um pequeno seixo, mas um Gigante com condições de esmagar definitivamente a corrupção, a impunidade, a desigualdade e a ânsia do poder dos gananciosos que buscam se locupletar, aproveitando a miséria dos menos favorecidos da sorte, fato que ocorre diuturnamente em todas as partes da nossa Pátria e do globo terrestre. (*) É advogado.