Opinião
De olhos fechados
Repetidas ações criminosas contra bancos, especialmente visando caixas eletrônicos, já deveriam ter levado polícia e estabelecimentos bancários a definirem estratégias de resistência. Apenas pelo noticiário de ontem, no interior alagoano, registraram-se duas novas ocorrências. Fracassou a tentativa de assalto em Olho d?Água Grande, mas os bandidos lograram êxito na Barra de São Miguel, onde chegaram ao requinte e desplante de usarem uma lona preta como elemento cenográfico para operacionalizar melhor a produção criminosa. A modernidade oferece, há bastante tempo, uma infinidade de recursos tecnológicos que possibilitariam um acompanhamento em tempo real dos locais onde estão instalados caixas eletrônicos. As próprias agências reais, evidentemente, são as mais fáceis para a monitoração integral, o que possibilitaria uma reação praticamente no mesmo momento às investidas criminosas. Mas como a tecnologia ainda não substitui o olhar humano, teria de ser ampliado o contingente de trabalhadores a postos para a indispensável interação com os sistemas eletrônicos. Será esse acréscimo de postos de serviço o fator determinante para o atraso na adoção dessas formas de acompanhamento preventivo? Parece óbvio que o temor à redução dos lucros bancários, no tocante ao segmento privado, seja o fato determinante para o abandono dos caixas eletrônicos à própria sorte. No que diz respeito ao segmento da segurança pública, apesar das dificuldades do erário, é-se indispensável uma maior alocação de recursos em sistemas tecnológicos de monitoração. Nos dois lados dessa moeda, tanto o setor público quanto o privado, a tentativa de economizar recursos para a ampliação dos sistemas eletrônicos de segurança está resultando num grande prejuízo para todos, especialmente para a população cada vez mais exposta à ousadia do crime organizado.