Opinião
A moda brasileira no in�cio do s�culo 20
A geração pós-modernista, que permeia o século 21, não consegue entender por que o Brasil dos anos 20 vivia plenamente a atmosfera cosmopolita de Paris ou Londres, desfilando em pleno sol tropical fatiotas abotoadas sobre coletes e chapéus de coco, palheta ou cartola. Não era só a moda que respirava a afável bruma parisiense, mas a própria capital federal. O Rio de Janeiro se revestia de uma nova paisagem urbana plantada sobre os alicerces dos casarios coloniais. Embora a vida republicana seguisse seu curso e ainda se respirasse o olor do último baile do Império no castelo da Ilha Fiscal, realizado em 9 de novembro de 1889. A alta sociedade carioca ainda tinha nos olhos o esplendor da aclamação da princesa Isabel em 1887, como regente do Império. Enquanto isso o restante do mundo tentava soltar as amarras da Era Vitoriana, onde a moda era ditada pela Inglaterra, sob o comando de sua austera rainha. Mas a realidade era uma só, o Brasil é que estava mudando. As principais cidades brasileiras se adornavam de uma urbanidade cosmopolita, romântica, nos moldes europeus. Por isso é tão comum que muitas cidades brasileiras, mesmo no interior, tenham sido pontilhadas por obras arquitetônicas arrojadas. Depois, este cenário europeu combinava com a própria sociedade conservadora, onde a aristocracia rural respirava o poder das oligarquias patriarcais. Razão pela qual o surgimento da fotografia foi tão bem recebido, sobretudo entre as casas mais abastadas. A novidade permitia o registro da vida cotidiana, do glamour das festas e da moda nada menos requintada que no século 19. Afinal, os figurinos não vinham de outro lugar senão de Paris, a capital do mundo hodierno. Não era por menos que a língua de Honoré de Balzac fosse falada aqui a alhures, como é hoje o inglês. Enfim, o resultado deste período de Belle Époque brasileira, ocorrido entre 1871 até o final da Primeira Guerra, em 1914, se prolongou até o início de 1930, sobretudo fora do Rio de Janeiro. Maceió desse período seguiu a mesma linha, preenchendo seus espaços com belas praças, adornadas por um bestiário de estátuas fundidas em antimônio, compradas na França, pelo governo de Euclides Vieira Malta. Nessa época, o Riacho Maceió contornava a atual Praça Sinimbu, passando por trás do Club Fênix, separando o Centro da cidade, tratado simplesmente como Maceió e o bairro portuário de Jaraguá. Já no começo do século a Associação Comercial de Maceió, ali instalada escrevia no cabeçalho de suas atas o nome do bairro como se fosse o da cidade. (*) É escritor .