Opinião
Vivemos numa caverna
Por estes dias, conversando com uma amiga por uma rede social cibernética, o MSN, a febre da juventude se assim posso dizer, tive uma leve e impetuosa impressão de que estamos vivendo numa caverna, a mesma descrita por Platão em O Mito da Caverna e/ou também na Caverna, de José Saramago, que aborda a mesma problemática. Descrevendo melhor, Platão expõe uma sociedade moldada e presa nos seus próprios costumes, os indivíduos veem apenas as suas próprias sombras. Já Saramago, mais moderno, descreve que a caverna é o shopping center, traduzindo o consolo, a segurança no poder e na lógica capitalista. Mas sem perder muito o foco, diante da conversa ?teclada?, passei-lhe o ardoroso desejo que permanece em mim de fazer uma especialização fora do Brasil. Surpresa tomei diante da resposta, que não foi muito satisfatória: ?você não pode viajar, jogar tudo o que conquistou para o ar. De que serviu todo o seu sacrifício?? concluiu e não me permitiu lhe responder ao menos para poder lhe confrontar sobre aquilo que ela acreditava e que tinha como verdade, tendo em vista que a verdade é relativa. Essa caverna em que vivemos e em que somos aprisionados, nada mais é do que uma fortaleza, que nos protege do desconhecido, tendo em vista que as aventuras em terras distantes são arriscadas e em muitos casos temos de escolher se permanecemos na nossa mesma vida que pouco a pouco foi moldada, ou se deixamos tudo e embarcamos em busca de um novo ideal. Valores ditados por uma sociedade, que se refletem nos indivíduos, fazendo-os acreditar que estagnados em sua própria realidade tudo está bom, tudo está maravilhoso. Temendo que não possa ser bem-sucedida tal investida, o recomeçar do zero mete medo e desestimula diversas pessoas que não querem nem ao menos tentar, convencidas por muitos que não se deixam nem ao menos influenciar por tal pensamento. Vivemos apenas uma vez, na minha crença, pois existem crenças que acreditam em reencarnação, o que não vem ao caso. Mas diante de toda a problemática levantada ao longo do texto, acredito que somos blindados e o medo, a insegurança, nos impedem de fazer aquilo que com um pouco de sacrifício podemos alcançar para que no amanhã possamos rememorar tudo que vivemos, sem o arrependimento de não ter feito aquilo que queríamos e, quem sabe, possa ser tarde demais. Diante de todas as investidas ao longo desta, podemos dizer, vida louca, aprendi de uma maneira empírica que o amanhã foi o hoje que se passou, e que apenas o ?eu? é o limite para as nossas investidas. Claro que com consciência e planejamento, pois não adianta colocar os pés pelas mãos. Com essas duas ferramentas podemos sair das nossas cavernas, ultrapassando todos os empecilhos que ao longo do caminho nos apareça, podendo carregar por toda uma vida aquilo que foi útil e serviu de experiência, que no meu caso seria a união do útil ao agradável, um aperfeiçoamento em uma terra que não conheço. Gostaria de apenas fazer uma ressalva, escrevi que ?seria?, mas na verdade ?será?. (*) É estudante de Jornalismo.