Opinião
� minha opini�o!
Dentre muitas preocupações, carrego algumas que não são somente minhas. Por dever de consciência não posso calar, apesar de saber das conveniências e do risco de manipulações. Clara, muito clara, está a verdade de a nossa Igreja afirmar que não tem candidato próprio e não pode ter, em nome da própria liberdade de consciência. Mas não confundam os fiéis que este limite signifique afirmar que a Igreja lave as mãos e todos os candidatos são bem-vindos. Não se trata de igrejismo ou de criação de bancadas igrejeiras, de experiências nada recomendáveis. Os cristãos se destacaram neste país em vários e significativos momentos políticos. Leigos e padres participaram de movimentos, inclusive rebeldes, com ideais de dignidade e nobreza. Padre Cícero, do Juazeiro, Antônio Conselheiro, Padre Ibiapina, Dom Helder Câmara foram homens de uma presença política muito importante, para não falar dos mais distantes. Os cristãos tiveram uma decisiva participação na Constituinte de 1988. No combate à ?Corrupção Eleitoral?, novamente subscrevemos mais de 1 milhão de assinaturas, ao lado de outras instituições nacionais. Agora, foi a vez do pedido de ?Ficha Limpa? para os candidatos a cargos eletivos. Estamos juntos nessa tarefa cívica. Por isso, aumenta a nossa responsabilidade e a minha dor de consciência. Não há nada de pessoal nestas questões, mas são questões que dizem respeito ao bem-comum. Dizer que a Igreja não tem candidato não significa dizer que todos os candidatos, independentemente de nobreza, ou sigla partidária ou, até mesmo de credo religioso, podem ser livremente aceitos por nós. A nação brasileira tem raízes cristãs que certamente nos oferecem uma estrutura religiosa cristã, aberta, acolhedora, ecumenicamente receptiva, com expressões dialogantes muito claras. Para nós, já que os partidos não têm ideologia, interessa-nos o nome. Apenas como exemplo, sem reducionismos religiosos, nossos candidatos serão aqueles ou aquelas que estiveram ao nosso lado. Aliás, a Igreja Católica, com raras exceções, não tem sentido a presença solidária de nossos representantes políticos. Já não mais chamo ?Festa Democrática? o dia das eleições brasileiras. A compra e a venda do voto são uma nódoa, cuja mancha, torna ?ficha suja? candidato e eleitor, e retira todo caráter celebrativo da Democracia. Nada ou quase nada resta para quem não tem dinheiro para bancar sua eleição. A apelação dos programas eleitorais visa derrubar quem incomoda e eleger os companheiros de farra da coisa pública, na cumplicidade imoral de quem mente e engana povo. Muita reflexão e tomada de consciência serão necessárias para que Alagoas seja ?estrela radiosa?, brilhando com dignidade na Constelação estelar brasileira. (*) É pároco da Igreja de São Pedro Apóstolo.