Opinião
Solu��es inovadoras
Apropriadamente, o Supremo Tribunal Federal estuda uma forma de resolver, ainda antes das eleições deste ano, a questão da aplicabilidade da chamada ?Lei da Ficha Limpa?. A questão não é simples como a maioria dos brasileiros gostaria que fosse, mas, inquestionavelmente, o ideal é que, qualquer que seja, a decisão da nossa suprema corte fosse definida antes do dia 3 de outubro. Num placar histórico, cinco a cinco, é um empate que multiplica as tensões eleitorais, pois muitos são os candidatos que permanecem no limbo, com suas candidaturas presas à insegurança jurídica e seus eleitores seguem na dúvida se suas intenções de voto converter-se-ão em sufrágios válidos para a candidatura escolhida, ou se terão outro destino, sendo anulados no caso majoritário, ou convertidos à legenda, no caso proporcional. As opções de desempate estão sendo estudadas pela suprema corte, segundo o noticiado. Nesta semana, em sessão extraordinária, o STF retomará o debate para resolver o impasse. Em uníssono, a torcida do eleitorado brasileiro vibra para que uma solução seja encontrada. Apesar do tensionamento político e do estresse pessoal causado pela indefinição numa questão tão fundamental, é importante reconhecer que esses percalços fazem parte da construção de um modelo de democracia que busca aperfeiçoar-se de forma corajosa, criando ferramentas que estão sendo concebidas como respostas constitucionais a problemas complexos, que necessitam de enfrentamentos tão urgentes quanto inovadores. Este é um caminho no qual o Brasil deve perseverar. As dificuldades deste momento histórico não obstaculizarão o processo construtor de um modelo ético, constitucional, para a democracia brasileira. O esforço do STF na busca de soluções para o inusitado empate é mais uma lição de cidadania.