Opinião
Petr�leo nosso
Mais uma boa notícia que, de certa forma, soçobrou na maré agitadíssima das pautas eleitorais: a grande vitória brasileira com a rodada de venda das ações da Petrobras, sucesso que fortaleceu a estatal entre as principais petroleiras mundiais e alavancou a empresa para uma das mais proeminentes posições no topo do ranking mundial do segmento. Na megaoferta de ações, considerada a maior já realizada no mundo, a Petrobras amealhou nada mais nada menos que R$ 120,36 bilhões. Segundo especialistas, essa foi a mais impressionante operação do tipo até hoje realizada ?ultrapassando a emissão da NTT, empresa japonesa de telecomunicações, que movimentou US$ 36,8 bilhões em 1987 e até hoje era considerada a maior oferta de ações já realizada no planeta?. Detalhe não menos importante é que essa operação tipicamente capitalista reforçou o caráter estatal da empresa, pois a parcela pública pulou de 34% para praticamente 50% dentre os proprietários de ações. Esse salto está especialmente ligado à entrada no pregão de aproximadamente 400 mil investidores de pequeno porte, aí se destacando os assalariados, que puderam deslocar para o filão do petróleo seus recursos do FGTS. No cenário internacional, esse negócio mexeu com o mercado global, puxando investimentos de outras plagas, inclusive de fundos soberanos de nações asiáticas e do Oriente Médio. A Petrobras, depois desse triunfo, estaria com seu valor de mercado estimado em US$ 270 bilhões, segundo a mídia especializada, o que a elevaria à posição de segunda maior petroleira do mundo, atrás apenas da americana Exxon (US$ 313 bilhões) e adiante da Petro China (US$ 266 bilhões). Naturalmente, as posições do ranking internacional ainda vão sofrer as influências de atualizações dos valores típicos de um dos mercados mais milionários no mundo, mas, sem dúvida, o Brasil tem muito o que comemorar ? afinal, o petróleo (e o pré-sal) é nosso.