Opinião
Mil�cias da morte
Muitas são as revelações que brotam da chamada ?chacina do Benedito Bentes?. Quatro jovens foram trucidados por uma estrutura viciada onde o pretexto para combater a insegurança conduz ao fortalecimento de gangues ainda mais perigosas. E o que é pior, surgem indicações que tais organismos criminosos teriam apoio de estruturas oficiais e acesso a recursos destinados a seu contrário, ou seja, à manutenção da paz. Na origem desse encadeamento entre desvio de finalidades, formação e funcionamento de entidades criminosas, está a ausência e a incompetência do poder público na área da segurança. Não é problema novo, mas a cada dia parece crescer e se tornar mais letal. Há décadas, os chamados ?esquadrões da morte? aproveitavam-se da justa revolta popular contra a impunidade e impunham a injustiça por conta própria, executando dezenas de vítimas, apontadas, em toscos cartazes assinados por uma caveira, como bandidos de alta periculosidade. Naqueles casos, acontecidos principalmente no eixo Rio/São Paulo, não se demorou a descobrir que tais ?justiceiros? eram muito mais bandidos que suas vítimas ?justiçadas?. Policiais corruptos formavam a base daqueles grupos que se especializavam em assassinatos em série, muitas vezes a serviço do próprio crime organizado, além de participarem de crimes como o tráfico de drogas e armas, dentre outros. Nos tempos atuais, a inoperância do Estado na segurança pública volta a estimular a formação de novos ?esquadrões?, agora chamados de ?milícias? e especializados em achacar as comunidades inteiras, apresentando-se como ?defensores da ordem?. A sociedade exige justiça, exige segurança. Precisamos de polícia nas ruas, defendendo a população, combatendo bandidos de todos os tipos, inclusive ?milícias? ou quaisquer outros nomes que venham a ter esses grupos armados ao arrepio da lei.