Opinião
A pauliceia est� em chamas!
Fiquei entediado com a reação de setores (minoritários) da opinião pública às críticas do presidente da República ao tratamento dado por um segmento bastante conhecido da velha imprensa à cobertura da campanha eleitoral. Disseram que o inconformismo de Lula (80% de aprovação popular) põe em risco a democracia no País ? um evidência do delírio patológico que impregna a mente desses falsos profetas, conspícuos representantes da marotagem nacional, sempre dispostos ao ridículo pelos seus ?cinco minutos de fama?. Há poucos dias, os aristocratas da oposição neoliberal fizeram uma manifestação em São Paulo em protesto aos comentários do presidente. Em nome da liberdade de expressão eles hostilizaram, usando o presidente como argumento, a própria liberdade de expressão! Querem atribuir à imprensa o monopólio do direito constitucional à liberdade de pensamento. As oligarquias insistem em projetar a ideia de que a mídia contrária ao atual governo recebeu do constituinte de 1988 plena liberdade de acusação, livre de quaisquer consequências, porque estaria protegida por esse dogma sagrado, intangível, a que chamam cavilosamente de ?liberdade de imprensa?. Querem que as redações gozem da faculdade de falar e escrever o que quiserem, de modo que, se o presidente da República se sentir injustiçado, terá de jurar silêncio obsequioso e jamais repudiar as increpações ? sob pena de pôr em risco a virgindade dessa balda donzela chamada ?democracia brasileira?, menina dos olhos da elite dominante. Querem fazer da imprensa uma deusa intocável a que todos nós devemos cortesania e adoração. Todos nós sabemos onde estava a grande imprensa quando a ditadura militar impôs a lei do silêncio às oposições. Estava na trincheira do regime (a que a Folha de São Paulo batizou de ?ditabranda?), combatendo os defensores da verdadeira liberdade de expressão. O presidente Lula fez uma denúncia séria: os meios de comunicação de massa encontram-se nas mãos de meia dúzia de famílias que tentam alienar o povo de todas as formas possíveis. Esses clãs familiares têm conexões com empresas americanas e fazem aqui o papel de ?longa manus? da política do Império, no interesse do grande capital. A condenação à morte de uma homicida no Irã, por exemplo, repercutiu como uma bomba em todas as redes de notícias do Brasil. Por outro lado, a execução de um débil mental na Califórnia, condenado por homicídio, não rendeu uma só linha nos jornais desses oráculos catacegos dos ?direitos humanos?. O presidente Lula, pela postura independente na política internacional, não é visto com bons olhos pelo Leviatã do Norte. Amado era FHC, que rezava o ?pai-nosso? da economia na capela da Casa Branca. (*) É professor.