app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5710
Opinião

�gua � vida

HUMBERTO MARTINS * Por uma dessas ironias em que o destino é farto, na mesma semana em que diversos países europeus sofrem enchentes sem paralelo nos últimos 100 anos, um relatório das Nações Unidas, ONU, referente à Conferência sobre o Ambiente e o Dese

Por | Edição do dia 31/08/2002 - Matéria atualizada em 31/08/2002 às 00h00

HUMBERTO MARTINS * Por uma dessas ironias em que o destino é farto, na mesma semana em que diversos países europeus sofrem enchentes sem paralelo nos últimos 100 anos, um relatório das Nações Unidas, ONU, referente à Conferência sobre o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, que se realiza neste mês de agosto em Johannesburgo, África do Sul, revela que mais de 2 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água no mundo e prevê que mais de 4 bilhões ficarão sem abastecimento regular em 2025, daqui a apenas 23 anos. As chuvas excessivas que ameaçam destroçar alguns patrimônios seculares da humanidade, na República Tcheca, Áustria e Alemanha, entre outras nações, são, segundo os meteorologistas, conseqüência do deslocamento de frentes frias que pairavam habitualmente sobre o Atlântico Norte e que agora se deslocaram para as terras do chamado Velho Continente. A escassez de água que já existe e a calamidade que se anuncia para dentro de duas décadas são, sem dúvidas, conseqüências da indiferença dos países ricos com um problema tão grave, e do misto de alheamento e falta de recursos que se alastra por praticamente todas as nações. “O nível dos mares está subindo, as florestas estão sendo destruídas e mais de 2 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água. Até 2025, esse número deve saltar para 4 bilhões, ou 50% da população prevista, afirma o relatório da ONU, sintetizado em recente edição do jornal Folha de São Paulo”. Outros números publicados no mesmo jornal deixam preocupados a quem os lê: “2 bilhões de pessoas (um terço da população mundial) já enfrentam escassez de água, 4 bilhões estarão nessa situação em 2025 (metade da população mundial), o consumo de água cresceu 6 vezes em cem anos (duas vezes mais rápido do que a população), 2,5 bilhões de pessoas estão sem acesso a saneamento básico, 1 bilhão não têm acesso à água tratada, 2,2 milhões morrem a cada ano, de doenças causadas por água contaminada, 2,4% das florestas foram destruídas nos anos 90, sobretudo na América Latina – 900 mil Km2, uma área maior do que a Venezuela – 20% a 30% das áreas cultiváveis da Terra estão superutilizadas”. O Brasil é um país privilegiado em matéria de água doce, própria para consumo humano. Mas proporções da poluição e depredação dos nossos cursos d’água ocorrem num ritmo preocupante. Rara a cidade grande ou média, incluindo capitais, que não têm graves problemas de abastecimento. A maior concentração de água doce brasileira está na Região Norte – Amazônia – mas a transferência desse potencial para as demais regiões brasileiras exigiria (exigirá) grandes investimentos, pois implicará na interligação das principais bacias fluviais do País. Racionalizar o consumo de água, zelar pelos mananciais e desenvolver um planejamento a longo prazo é, fora de dúvidas, o caminho aconselhável para evitar que o Brasil seja atingido, em médio prazo, pelos graves problemas de abastecimento d’água previstos pelo relatório da ONU recentemente divulgado. Água, cada vez mais difícil, é vida, devemos, pois, preservá-la. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

Mais matérias
desta edição