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Trabalho infantil e a explora��o deste, duas coisas diferentes

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Embora não pareça evidente, a exploração do trabalho infantil é preconizada pela própria Constituição, que cria um cenário fictício para a primeira infância. Uma coisa é anunciar um direito, outra é outorgá-lo. Dizer que: ?É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão?. É muita coisa para quem não consegue fazer a metade. O tema ?Trabalho Infantil? se tornou emblemático, politico demais, sem o mínimo de pragmatismo para a solução do problema principal que é a ?exploração?. Uma exploração que começa à medida que a criança é privada de seus direitos constitucionais e está submetida a um estado de miséria absoluta. Tudo passa a ser uma questão de sobrevivência. Igual ao que dizia a letra da música de Ary Lobo, na década de 60: ?Amendoim torradinho aproveita gente que está bem quentinho. Tenho dez anos de idade, não sei o que é brincar, eu passo necessidade pra minha mãe sustentar, a coitadinha é viúva só tem eu neste mundo, é por isso que trabalho não quero ser vagabundo(...)? Seria esta mãe viúva, que prepara os amendoins a exploradora? Hoje a criança não pode vender o amendoim, mas vende o crack. Quanto ao trabalho, propriamente dito, registrou Demócrito, filósofo que viveu entre 460-370 aC: ?Se as crianças tivessem a liberdade de não trabalhar, nem as letras aprenderiam(...)?. Na letra da música a sentença: ?(...) não quero ser vagabundo. Consciência de tantas crianças, como eu próprio que trabalhei tão cedo. Pesquise o leitor quantos homens bem-sucedidos trabalharam na infância, vendendo jornais, fósforos ou mesmo o amendoim. A questão não está em se estabelecer a idade mínima para o trabalho infantil, mas de prover a infância das promessas do contrato social, assinado pelos pais. Ouvi recentemente, emocionado, o relato de um pai de três filhos, abandonado pela esposa. A filha de 10 anos é quem cuida dos irmãos de seis e quatro anos, do fim da tarde, quando chega da escola, até o pai voltar do trabalho, às 23 horas. Isto, de porta trancada, com ordem para não abrir para ninguém. Exploração ou não, para esta menina de 10 anos esta é uma lição para o resto da vida, que nenhuma escola ensina: a de ser responsável. (*) É escritor.

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