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A prop�sito de elei��es

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Nas eleições não se pode confiar muito no compromisso dos eleitores. Prometem votos, às vezes, a vários candidatos e, na hora, ficam tão atrapalhados para escolher entre tantos conhecidos que acabam traindo alguém. E o aspirante, que espera um número expressivo de sufrágios, se decepciona com o resultado. Lembro-me que uma amiga me contou que o pai dela lhe havia pedido e, a sua irmã, para votarem num seu amigo a quem devia pequenos favores. Ele era candidato a vereador na última eleição. Elas que, também apreciavam o referido senhor, assumiram o acordo com o genitor de votarem no seu conhecido. Satisfeito, ele contou ao pretendente a edil que poderia computar três sufrágios em sua família. Acontece que as moças tinham uma colega que estava aguardando seu noivo ser eleito vereador para o casamento realizar-se. Pediu às amigas para ajudá-lo votando nele. Elas ficaram sensibilizadas com a situação da jovem, mas haviam prometido ao pai que sua escolha seria a mesma dele, o seu protegido. Não deixaram, porém, de se preocupar com a companheira que lhes pareceu tão inquieta com a sua situação nupcial. Aquele pensamento cutucava a cabeça das duas moças. Mas... Haviam se comprometido com o pai! Palavra é palavra! Porém, a ansiedade da colega deixara-as sensibilizadas! Que fazer? Cada uma só poderia dar um voto!Quem escolheriam? Chegou a eleição. Na hora de saírem para votar a amiga telefonou apelando, mais uma vez, para elas escolherem o seu prometido, lembrando, com insistência, que suas bodas dependeriam da vitória dele para a câmara. As duas trocaram ideias e resolveram: ?Ora, o voto é secreto! Papai nem vai saber que não apoiamos o amigo dele.? E depositaram na urna a cédula com o nome do noivo da colega. Saíram felizes sem nenhum remorso: Tinham ajudado a companheira! Terminada a eleição, começou a contagem dos votos. Não é que o candidato delas ganhou por um único voto! O pai ficou desconfiado de que as filhas o houvessem traído porque seu candidato só tinha recebido, na seção em que compareceram, o seu único voto! -?Mas, vocês me enganaram? Em eleições ninguém pode mesmo confiar muito em nenhuma pessoa!? ? disse rindo. As duas irmãs vibraram, abraçadas com a amiga que, dois meses depois, celebrava suas núpcias. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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