Opinião
O politicamente correto e o cristianismo
A ditadura do politicamente correto está em moda. Desde o modo como devemos usar a caixa de descarga no banheiro, passando pela educação dos filhos, até as questões mais complexas, não falta uma regrinha, ensinando-nos a sermos ?bons mocinhos?; a pensarmos, na verdade, de modo hegemônico. Não importa se aquilo que nos é imposto é verossímil, factual. Importa é que alguém ? ou um grupo ? decidiu... e pronto! Tornou-se uma verdade imutável! Detenhamo-nos na relação entre o politicamente correto e as questões religiosas. É significativa a consciência atual da importância da tolerância para o convívio entre as religiões. No entanto, esta consciência vale, na nossa cultura ocidental, para a religião dos outros. Em outras palavras: devemos respeitar os diversos credos, portadores de importantes tradições religiosas. Mas quando se trata do cristianismo, a história é outra. Apresentamos aqui, caros leitores, dois exemplos disto que estamos afirmando. Muito se discutiu nos últimos dias a polêmica construção de uma mesquita no local onde estavam situadas as famosas torres gêmeas nos Estados Unidos. Como se trata da fé muçulmana, o assunto assumiu áurea de assunto de Estado, com defensores numerosos, segundo os quais tal construção seria um marco da tolerância na América. No entanto, ninguém disse, nenhum jornal publicou que no dia 11 de setembro de 2001, juntamente com o World Trade Center, veio abaixo uma igreja cristã ortodoxa situada ali próximo. Também ninguém disse que até hoje os cristãos ortodoxos lutam para ter permissão e ajuda na construção de um novo templo, e que reiteradamente a prefeitura lhes nega este direito. Outro exemplo da parcialidade da ditadura do politicamente correto em relação às questões religiosas observamos na visita recente do papa Bento 16 à Inglaterra. Com virulência, a imprensa britânica fez uma campanha contrária à presença do pontífice no Reino Unido. E por quê? Simplesmente porque ele é porta-voz de uma instituição contrária ao aborto, à união homossexual. O papa e a Igreja pensam diferente, pensam segundo o evangelho, e por isso discordam do pensamento único imposto a todos indiscriminadamente. Consequentemente, são vítimas do ódio, da intolerância, do ostracismo dos militantes hipócritas da liberdade de pensamento. A tolerância religiosa é uma causa nobre. Mas ela deve ser imparcial. Jamais os cristãos podem aceitar ser tratados como cidadãos de segundo categoria na cultura que eles ajudaram a construir. Quando os livres pensantes se posicionam com intolerância em relação ao modo de viver cristão, estão agindo de forma semelhante aos fundamentalistas religiosos que tanto condenamos aqui no Ocidente. (*) É seminarista.