Opinião
Privatizando o p�blico
Em ritmo acelerado, as obras de instalação das barracas para as lojas de comercialização de artesanato estão dando uma animação diferente a sempre agitada Praça Sinimbu. O logradouro, antes um dos mais bem cuidados de toda Maceió, foi alvo de várias remodelações desde os longínquos tempos onde foi criado, na primeira década do século 20. Uma das primeiras mudanças foi o próprio nome, originalmente chamado de Euclydes Malta. Uma das mais recentes e marcantes reformas daquele espaço público, rebatizado desde a queda dos Malta como Praça Visconde de Sinimbu, foi a realizada pelo prefeito Sandoval Caju nos anos 60, quando ali introduziu uma série de equipamentos como bancos, escorregadores, balanços, canteiros e um conjunto onde se destacava um espelho d?água alimentado por uma escultura do ?mijãozinho? (réplica, confeccionada pelo famoso artista alagoano Lourenço Peixoto, de uma famosa estátua carioca) e, encrustados numa parede de azulejos, poemas de Jorge de Lima. Nos dias em curso, pouco lembra a glória passada daquele logradouro. A estátua metálica do mijãozinho foi lenta e impunemente despedaçada até só lhe restarem os pés cravados na laje. E, depois, até a própria laje foi quebrada. Os poemas e as gravuras cravejados nos azulejos foram dilapidados inapelavelmente. Acampamentos dos ?sem-terra? privatizam, periodicamente, o solo de aproximadamente metade da praça, enquanto a outra metade era, até pouco tempo, privatizada pelos comerciantes de veículos usados, empreendedores que agora terão de repartir o mesmo chão com os vendedores de artesanato. São claras as explicações sobre as motivações sociais para as diversas ocupações indevidas daquele espaço público. Resta saber se essa permissividade será indefinida ou se faz parte de uma política coerente de uso transitório do solo urbano, com prazo para devolução do logradouro a sua função original.