Opinião
Adeus professor Ivan Vilela
Com a alma dilacerada pela tristeza e a face queimada por catadupas de lágrimas ouvi, no dia 21 de setembro, os sinos das igrejas de Viçosa repicarem com um som que em nada diferia de quem chora devido ao pranto, a dor e ao desespero. Eles dobravam amargamente para anunciar a viagem sem volta, ou seja, o doloroso sepultamento do insubstituível Professor Manoel Ivan de Albuquerque Vilela: um dos mais queridos e importantes vultos da história de Viçosa. Profundamente pacifista, em Viçosa, o objetivo da vida do Professor Ivan Vilela ? que ?vivia simplesmente, amava generosamente, falava gentilmente, não esperava ter tempo para poder servir, ter muito para compartilhar um pouco e nem a mágoa do outro para pedir perdão? ? sempre foi o de trabalhar em prol da cultura, da união, da paz e do humanismo. Por isso, com sua partida, sepultamos não apenas um cidadão de Viçosa, mas um pedaço da alma de cada viçosense. Quando isso acontece, as consequências são terríveis, porque se nossa alma diminui nos tornamos menos humanos e mais animais. Infelizmente o Criador não nos deu outra escolha a não ser a de nascermos para morrermos. Talvez Ele nos tenha dado ?a morte para sabermos o valor da vida?. Ocorre que a morte é a mais cruel das exclusões, pois nos priva definitivamente da companhia de nossos entes e familiares queridos. Suportar perdê-los exige uma resignação gigantesca. No entanto, nunca devemos esquecer o que ensinou o ?Meigo Nazareno? a Nicodemos: ?Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus?. ?O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito?. É, portanto, a esse novo professor Ivan Vilela, renascido em Espírito, que não só seus familiares, mas todos aqueles que o conheceram e sentem sua necessária e indispensável presença, devem dizer, a uma só voz, estas belíssimas palavras: ?Não insistas comigo para que te deixe, pois para onde fores, irei também, onde for tua morada, será também a minha; teu povo será o meu povo e teu Deus será o meu Deus. Onde morreres, quero morrer e ser sepultado?. Nada mais tendo a dizer, faço minhas as palavras do Apóstolo Thiago: ?Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida ao qual o Senhor prometeu aos que o amam?. Tenho certeza que ele já está coroado. E com a mais bela de todas as coroas. Adeus, mestre. Adeus, para sempre, professor Ivan Vilela. (*) É professor da Ufal.