Opinião
Protesto radical
Greve de fome não é brincadeira, é algo sério. Ação radical, pode causar sérios prejuízos à saúde do grevista, ou a sua moral, pois comer escondido durante o protesto é demolidor para a imagem de quem diz recusar alimento por uma causa. Recentemente o uso dessa forma extrema chamou a atenção da mídia internacional por serem feitas contra o governo cubano. Um grevista morreu e outro sobreviveu, logrando êxito em suas reivindicações. Setenta pessoas em Maceió anunciaram-se em greve de fome. São professores e pais de alunos da Escola Municipal Professor Paulo Bandeira que exigem recuperação das instalações físicas daquele centro de ensino. Antes de qualquer coisa é necessário reconhecer a justeza da causa. Igualmente é indispensável respeitar a opção pela forma radicalizada do protesto, mas é importante ponderar que esse radicalismo precisa estabelecer limites, sob pena de esgarçar a bandeira desfraldada ou de desgastar a saúde dos manifestantes. Preservada a saúde dos professores e pais de alunos em sacrifício pelo abandono da escola, deve-se cobrar das autoridades soluções práticas, pois os problemas com a estrutura da escola se arrastariam desde 2005, segundo denúncia dos manifestantes, consumindo recursos do município no pagamento de aluguéis e postergando os investimentos na reforma do educandário. Outra questão digna de destaque, e de elogio, é a tentativa de se encontrar uma forma de protesto que não prejudique ainda mais os estudantes, o ensino e o futuro do Estado, pois esses são os resultados das paralisações das aulas, recurso lançado mão nas campanhas reivindicatórias do magistério alagoano; campanhas por motivos justos, mas que findam por prejudicar toda a sociedade em função de a vítima de tal forma de protesto ser o estudante.