Opinião
Presos em tr�nsito
Mais uma vez o que é apresentado como solução transitória para um problema no sistema prisional chama a atenção para a gravidade da realidade entre as grades e a necessidade de respostas mais profundas e duradouras. Universidades do crime, as penitenciárias são um problema cada vez mais explosivo em todo o Brasil. Alagoas faz parte, talvez com certo destaque, desse cenário preocupante, com a recorrência das mais variadas crises, onde se avolumam tráfico, fugas, rebeliões. Além disso, aqui e alhures, com as facilidades da telefonia móvel, as celas viraram escritórios para os chefões do crime organizado. Ontem foi anunciada a transferência de 41 apenados que deixam de ver o sol nascer quadrado em Alagoas para enxergarem a mesma paisagem na verdejante Rondônia. Segundo as informações repassadas à imprensa, os presos (reeducandos?) viajaram num avião da FAB, gastando um pouco mais do sofrido dinheiro público. Em Porto Velho serão abrigados no presídio federal local, considerado de máxima segurança. A transferência de chefes do crime para presídios distantes de suas áreas naturais de atuação é um recurso largamente praticado. Essa iniciativa poderia se converter em política, desde que os resultados das experiências realizadas até hoje apontassem resultados realmente positivos. Tal política teria como base o conceito do deslocamento do criminoso para longe de seu círculo de influência e não o preconceito regional. No passado a Amazônia foi considerada ?ideal? para o isolamento de prisioneiros, numa visão perniciosa sobre uma região brasileira. Essa miopia não precisa ser resgatada, mas, envolvendo todas as regiões, a permuta de detentos, afastando-os sistematicamente de seus perímetros de domínio poderá ser positiva na desarticulação do crime organizado.