Opinião
Forma��o arriscada
Mais uma vez um evento trágico, fatal, marca a atividade de formação física de militares. A dor da perda, terrível, novamente leva a questionamentos sobre os processos de treinamento de componentes das forças armadas e policiais. Ressalte-se que essa tragédia não é só alagoana, nem mesmo brasileira, pois alcança todos os recantos onde o perigo é parte integrante dos currículos. Numa elogiável demonstração de solidariedade e segurança acerca de sua missão, o comando do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado apoiou a família do cadete vitimado inclusive na decisão dos parentes em contratar uma perícia independente para levantar as causas da morte. Corretamente, o comando do Batalhão Hermes da Fonseca se apoia na transparência sobre seus procedimentos, não confundindo o indispensável sigilo sobre questões militares com ocorrências que, embora lamentáveis, devem estar abertas à opinião pública. Esclarecer os detalhes do acontecimento que ceifou a vida de um brilhante aluno do Curso de Formação de Oficial do Exército Brasileiro é uma questão que deve ser considerada como estratégica, pois a dúvida compromete a confiança indispensável que as forças armadas precisam ter de toda a população. Como bem disse o comandante do 59º BIMtz, tenente-coronel Pinto Sampaio, ?não podemos aceitar que a família nos entregue um filho e o devolvamos assim?. Nada mais correto. Responder a todas as dúvidas acerca da trágica ocorrência é absolutamente necessário até porque os treinamentos militares nunca poderão ser completamente isentos de riscos. Reduzí-los, aproximando-os do zero, é uma meta que exige rigor no levantamento das causas de tudo que tenha dado errado e levado o perigo a se materializar em tragédia. A memória de Lenyson Rodrigo dos Santos merece, além das honras militares, essas respostas.