Opinião
Papel insubstitu�vel
Desde os primórdios o cinema está visceralmente ligado à política. Seus criadores, os irmãos Lumiere, não puderam ser homenageados condignamente por uma suposta colaboração como o governo de Vichy, durante a ocupação nazista. Seus primeiros filmes, documentários de apenas 2 minutos, são operários trabalhando, mostrando que o cinema está irremediavelmente conectado às circunstâncias sociais, econômicas e políticas que o cercam. Justo ou não, no Boulevard dês Capuchines, em Paris, onde existia o seu set original, hoje não existe uma única e modesta placa, apenas uma loja de chocolates sofisticados. Embora o cinema tenha nascido intrinsecamente associado à realidade, com o tempo, foi ampliando a sua abordagem, tornado-a tão ampla quanto a literatura, com as vantagens do movimento, das cores, do espaço e dos sons entre outros. Os filmes podem se ater à realidade, como o neo-realismo italiano (Visconti, Sica, Fellini e Rosselini) ou distorcê-la para mostrar um mundo interior,o indomado do inconsciente, como o fez Bunuel. O cinema pode se dar ao luxo de interpretar o mundo à sua maneira. Muito de sua grandeza se deve à fantasia e não se pode pedir mais dele. Já a complexidade da mídia, entre as quais estão os jornais, devem ser os mais fiéis possíveis à realidade. Para tal, mostrar opiniões divergentes é retratar a realidade, prova de maturidade do veículo, sinal de tolerância e abertura; assim se mantêm independente e isento em momentos quando as paixões afloram, o que é um feito que a história haverá de reconhecer e louvar. Alceu Amoroso Lima: ? A democracia é um regime de convivência e não de exclusão. Baseia-se na liberdade, como meio de chegar a ordem?. De Rui Barbosa : ? A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe ocultam e tramam, colhe o que sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem,vela pelo que lhe interessa, e se acautela dos que a ameaçam?. Assim, a Gazeta de Alagoas, tem um papel fundamental e insubstituível, com a grande imprensa nacional na qual se insere,propiciando o chamamento para que desprovidos de demagogias e baixarias, temas como as privatizações, a ética e o tráfico de influências no governo, o sistema previdenciário, os privilégios dos marajás públicos, a reforma tributária e política, as caóticas saúde e segurança públicas;chagas nacionais atemporais ? sejam abordados nos debates dos presidenciáveis com profundidade,francamente e sem subterfúgios. (*) É médico e professor da Uncisal.