Opinião
O fen�meno Tiririca
Todo cidadão tem direito de se candidatar aos cargos políticos, se preenche os requisitos exigidos por lei. Porém, cabe ao eleitor consciente e patriótico a escolha daqueles que estejam à altura do posto, para não sofrer, depois, com a sua inconsequência. Eleição não é brincadeirinha. Trata-se do destino da nação. Do destino de seus filhos, do seu futuro. Aquele voto que você coloca na urna vai selar os acontecimentos bons ou maus que o governo lhe trará nos próximos quatro ou oito anos. É a sua vida que estará em jogo, porque o que acontece no País tem tudo a ver com a sua existência, com o seu cotidiano, com a sua liberdade. Você tem a felicidade de viver numa nação democrática, que lhe dá o direito de escolher os seus dirigentes. São eles que traçarão as normas sociais e econômicas de seu dia a dia, portanto, pense melhor na seriedade que representa o ato de votar. Não o use como uma distração insensata, uma banalidade, votando em qualquer candidato, para desabafar seus ódios, suas insatisfações pessoais ou seus recalques. A maioria dos brasileiros vive insatisfeita com o procedimento de alguns de nossos políticos diante de tanta corrupção, de tanta roubalheira, de tanta irresponsabilidade! Acredito na desesperança de quase todos, ante tanta canalhice! Mas o que se vê no resultado das urnas é que muitos comprometidos com esse estado de coisas voltaram com um resultado expressivo. Como explicar o comportamento de nosso povo? Claro que o suborno, que vem acontecendo de várias maneiras, tem uma importância fundamental A ignorância de grande parte de nossa gente não a deixa discernir entre os qualificados e os que não o são para ocupar os lugares na política. Um grande número de eleitores, mais de um milhão, escolheu o palhaço Tiririca para ocupar um lugar na câmara federal. Talvez com a intenção de achincalhar com esse congresso que nos tem trazido tantas decepções. Mas alguns declararam que o fizeram porque ele é engraçado! Fracamente, é muita inconsciência votar num indivíduo completamente incompetente para representar o povo, só por ele ser engraçado! Nada tenho contra o palhaço, só que nem o acho um cômico genial. Creio até que sua intenção foi a de ridicularizar a eleição e que muitos que nele votaram o fizeram num gesto de revolta contra tantos desmandos. Ele pode, também, ter sido usado, por ardilosos candidatos desesperançados, para servir, com seu prestígio de artista popular, de trampolim para conseguirem a vitória. Espero que os meus compatriotas pensem com mais clareza e inteligência na escolha dos governadores e do presidente no segundo turno. Lembrem-se que é o destino do Estado, do País; é nosso próprio destino de cidadãos que estará em questão. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.