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Macei�, ano 2015

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Revisando meus arquivos, que nem sempre são implacáveis e bem organizados, encontrei uma crônica intitulada: ?Maceió, Ano 2001?, publicada em 26 de abril de 1997. Relendo o texto, duas sensações me dominaram: a primeira é de que o tempo passa tão rápido, célere, fugidio, que eu não lembrava o fato de que escrevo, semanalmente, para o jornal Gazeta de Alagoas há bem mais de 15 anos; numa segunda vertente, as observações feitas na época são assombrosamente atuais. De que tratava o artigo? ? Do trânsito, que já naquela época já apresentava engarrafamentos nos horários de pico. Reproduzo alguns desses parágrafos do artigo de que estamos falando. A antevisão de como vai ficar o trânsito, amedronta. Mas que vai piorar é quase certeza. Em algumas ruas, o tráfego já representa um massacre para os motoristas. O que dizer quando o número de veículos em movimento for quase o dobro do atual? Não mudará o nome dos obstáculos: Praça do Centenário, Fernandes Lima, Centro, entre outros locais. O que aumentará é o sufoco. Maceió é como uma criança que cresceu e não cabe mais dentro das calças. É um corpo grande numa roupa pequena. Vou reproduzir mais alguns parágrafos. Providências já foram tomadas; são degraus subidos no rumo de uma solução que alivie o drama: a construção da Via Expressa, a nova Rodoviária e seus acessos e a avenida circular da Virgem dos Pobres na beira da lagoa. Problemas de trânsito não são privilégios de Maceió. Mas cidades como o Rio de Janeiro obtiveram razoáveis soluções, com vias expressas e viadutos tipo Linhas Vermelha e Amarela, construção de túneis, ampliação do metrô. Em São Paulo, multiplicaram-se as passagens subterrâneas e viadutos, além da proibição de circulação de veículos nas áreas centrais. Entretanto, aqui, tudo é mais difícil: o dinheiro tem uma grande atração pelo Centro-Sul. Em Pedagogia se aprende que quem critica deve propor, quem propõe deve assumir. E eu levanto essa questão aos órgãos públicos. Por que não manter permanentemente uma comissão cujo objetivo principal seja o de planejar a Maceió do futuro? Cujo relevante trabalho será o de projetar uma cidade humanizada, onde se viva e se goste de viver, onde o escoamento dos veículos seja menos caótico. Tudo isso foi escrito em 1997 prevendo um futuro ano de 2002. E agora? Cerca de 1.000 veículos novos entram em Maceió, anualmente. O que acontecerá em 2015? Quem viver, verá? (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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