Opinião
A Arte da Prud�ncia
Baltasar Gracián foi um padre jesuíta que em 1647 escreveu A Arte da Prudência. Acredito que os marqueteiros das campanhas presidenciais destas eleições de 2010 deveriam ter lido seus ensinamentos, mas parece que não o fizeram e deu no que deu. Esqueceram que de fato é o imponderável quem governa as mentes dos eleitores e não situações estanques e previamente definidas. O próprio presidente Lula imaginou poder transferir sua popularidade e prestígio fechando a fatura já no primeiro turno. Aliás, os institutos de pesquisa também não souberam aquilatar este fator imponderável e o resultado está aí para provar o que digo. Esqueceram a prudência. Pois é! Como ensina Baltasar Gracián alguns insistem no erro e, porque começaram a errar, parece-lhes perseverança seguir assim! Persistiram em seus erros de avaliação como autômatos, convictos de suas infalibilidades e inconscientes das suas fraquezas. Como me recordou o amigo Sérgio Moreira, o velho Magalhães Pinto estava certo ao afirmar que a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou. E agora? Não sou nem pretendo ser adivinho e não tenho bola de cristal para cantar esse ou aquele resultado para o segundo turno, mas se fez necessário repensar as estratégias das campanhas e suas convicções. Um fantasma percorre os comitês de campanha e institutos de pesquisa e precisa ser desvendado com urgência. O que aconteceu e para onde migrarão os votos que foram dados para Marina Silva? Cientistas políticos e estudiosos do assunto em breve nos darão suas respostas. Por hora permanecem discutindo se foram votos de católicos e evangélicos, votos de protesto ou votos ecológicos, votos daqui, votos dali, votos, votos... Senhoras e senhores, a campanha recomeça e o circo eleitoral retoma vida própria celebrando a democracia, conquista tão cara e preciosa para todos nós. A lição que aprendemos é a da necessária prudência em assuntos que envolvam corações e mentes de suas excelências eleitoras e eleitores. Por agora esqueçamos o primeiro turno, as pelejas perdidas e os queixumes dos que não se elegeram. A festa continua e nada temos a lamentar! Aliás, lamento mesmo só se for por uma paixão distante ou perdida como tão bem a discorreu o poeta Mendonça Júnior: Ah! Meu pobre destino malogrado, tudo o que não pedi, tudo me deram, mas o que desejei, me foi negado. (*) É promotor de justiça e professor da Ufal.