Opinião
Nossa cracol�ndia?
Durante ronda noturna realizada conjuntamente por uma série de autoridades públicas nas ruas de Maceió comprovou-se o que a imprensa vem noticiando há tempos: o crescimento avassalador do vício do crack entre os excluídos. Apesar de o vício nesse subproduto da cocaína fazer suas vítimas em praticamente todas as camadas sociais, é entre os menos favorecidos que essa droga mais se espalha e mais causa estragos. A realidade nos Estados maiores indica que essa tragédia já se anunciava há bastante tempo. Na capital paulista a situação é de tão grave que um perímetro do Centro velho tornou-se tristemente conhecido como a ?cracolândia?, endereço onde a decadência e a miséria humana parecem ter montado seu show room. Retornando ao caso maceioense, o grupamento de autoridades que tentava mapear moradores de rua topou com um grande número de menores consumindo crack sem qualquer reserva. Situação particularmente dramática nas cercanias do mercado público, onde a noite parece ser mais tenebrosa que noutros cantos da capital alagoana. Crianças e adolescentes, viciadas, foram recolhidas para um abrigo, mas a situação está longe de ser sequer dimensionada com precisão, quanto mais de ser vislumbrada alguma solução. A união entre miséria e vício pode estar na origem da série de assassinatos de moradores de rua. Miseráveis, os viciados têm pouco ou quase nada a oferecer em troca das pedras malditas. Alguns se prostituem, outros pagam sabe-se lá com o que o vício. Provavelmente assaltos, furtos e ?prestação de serviços? para os traficantes custeiam o consumo ? cujas dívidas, inexoravelmente, levam à morte. Ao verificar in loco esta realidade as autoridades públicas poderão, certamente, dar mais celeridade aos processos de enfrentamento desse problema que deve unir ações sociais e policiais.