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A sa�de como tema

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Dentre outros temas (relevantes ou nem tanto) a saúde vem merecendo algum foco nos programas dos candidatos. De repente, alguém se lembra de que o setor não é aquela maravilha propalada pelos governos. O SUS, por exemplo, é um pretensioso calhamaço de papel cercado de furos por todos os lados. Mesmo assim, em surtos megalomaníacos presidenciáveis já foi considerado ?o mais perfeito plano de saúde pública do planeta?. O discurso agora é diferente. Esta semana, no Piauí, hostilizando, ?comme de habitude?, os oposicionistas, Lula soltou o verbo e os acusou pelo fracasso do SUS, no caso, causado pela derrubada do CPMF, achando pouco o que o povo brasileiro tem pago para sustentar os esquemas criminosos da Casa Civil. Hoje com dócil maioria no Senado, será questão de tempo a volta da CPMF, com todo gás. Certamente traído pela emoção, nosso Lula esqueceu de que ele próprio havia quebrado lanças pela não implantação da taxa, nos seus bons tempos de oposição a FHC. O fato é que se o SUS funcionasse, as elites do País não iriam tratar seus cânceres na rede privada. Mas o tempo é de eleição. Até há alguns dias, jurava-se que Dilma Rousseff iria ser aclamada. Típica ejaculação precoce, talvez nem precisasse de eleição, já que os institutos de pesquisa apontavam para um massacre, um ?extermínio?. Serra, segundo essas fontes, murchava célere a cada hora. Em breve teria votos negativos. Perderia até para Eymael, o democrata cristão. Decepções à parte, com a imprensa em cima, de súbito emerge a questão dos hospitais, das Santas Casas, da remuneração. Alguém se lembra de que os médicos merecem um salário digno, compatível com a ascensão intelectual e responsabilidades profissionais. No calor da refrega, admite-se que os hospitais privados não têm condições de sobreviver com valores ridículos de diárias. Nesse viés, não obstante os serviços prestados, olho para o HGE e repito o que venho escrevendo há anos: é o retrato da saúde no País. Sim, porque ali onde hoje está existiam duas unidades que viveram amarguras idênticas. O Armando Lages, mais voltado para as emergências e o combalido Hospital José Carneiro, hospital-escola, base da Escola de Ciências Médicas. Com efeito, o Armando Lages de 10 ou 20 anos atrás era a mesma tragédia. Vivia ingloriamente ? escandalosamente - nas primeiras páginas dos jornais, exatamente como o HGE nos dias atuais. Na verdade, só funcionou razoavelmente nos primeiros anos de sua fundação. (*) É médico e escritor.

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