Opinião
A fam�lia acima de tudo
Pesquisa da Folha de São Paulo em 2007 sobre o perfil da família brasileira apresentou as mudanças ocorridas na última década, especialmente de comportamento e do campo moral, e nos códigos sociais relacionados à sexualidade. Foram visitados 211 municípios brasileiros e entrevistadas 2.093 pessoas, com 16 anos ou mais. Pelo Datafolha, a família aparece como a instituição mais valorizada do País. O aspecto mais relevante da pesquisa é o que indica a maior tolerância sexual, flexibilizando conceitos e controles, e a crescente rejeição ao aborto. Aumenta também a importância das religiões, mas os pais já aceitam com mais facilidade a gravidez da filha solteira, como também o homossexualismo. Segundo explica Vinicius Mota, ao comentar a pesquisa, ?a família acima de tudo; a religião em alta, mas não o casamento; o dinheiro em último plano. As principais mudanças no peso atribuído a valores tradicionais pelos brasileiros sugerem um reforço do lado afetivo, em detrimento do material?. E acrescenta que ?para o psicanalista Renato Mezan, o ganho de importância da família e da religião reflete o desejo de maior segurança, diante das incertezas da vida pública, quer dizer, o núcleo familiar e a relação com o sagrado funcionariam como meios de o indivíduo proteger-se diante da sensação de que a convivência fora dos domínios do lar e do templo é marcada pela violência, pela insegurança e pela corrupção?. Em relação à desvalorização simbólica do dinheiro, Renato Mazan explica que, na realidade, existe uma espécie de hipocrisia, pois não acredita que numa sociedade em que a luta pela sobrevivência econômica é tão grande, o dinheiro esteja em tão baixa estima. De qualquer forma, o que se percebe é que as pessoas querem viver mais o afeto e menos as imposições dolorosas para a difícil sobrevivência na sociedade em que tudo virou mercadoria, tudo tem preço, e não há mais quase espaço para a gratuidade. O afeto, de algum modo, é a última esperança de exercer o gratuito na sociedade que idolatra o capital, em que o vale-tudo pelo dinheiro desespera as pessoas que não aceitam perder o que têm de mais importante, por causa das demandas financeiras: a própria humanidade. Para o professor de ciência da religião da PUC-SP, Luiz Felipe Conde, ?a valorização da família é algo natural, pois trata-se de uma organização pré-social, pelo fato de o ser humano ser uma espécie biologicamente muito dependente quando nasce?. E salienta que ?a ascensão da religião na escala de valores pode ser uma resposta a um sentimento visceral do ser humano de que falta um sentido de vida?. A família está viva, ela resiste, sobrevive, afirma sua missão de salvaguardar a pessoa humana, de ser instância de proteção e acolhimento humano. É a primeira e a mais perene de todas as instituições, é o que confirma a referida pesquisa da Folha de São Paulo. E de nossa parte, neste momento eleitoral, é importante que façamos a escolha do candidato que assegure a solidez da família e, sobretudo, posicione-se contra o aborto e contra outras formas esdrúxulas de vínculo matrimonial. (*) É doutor em Sociologia.