Opinião
O m�dico e a humanidade
Amanhã é o Dia do Médico. Ninguém pode negar ser o médico o guardião da vida, o defensor do homem contra as agressões a que está sujeito e a despeito das múltiplas dificuldades, das greves que em última hipótese é obrigado a participar, como forma de protesto em razão de seus vencimentos muito minguados, é exatamente com ele, o médico, que o indivíduo enfermo conta para amenizar a sua dor, e dele vai sempre a mão firme a puxá-lo para a vida. O dia 18 de outubro é também dedicado a S. Lucas, o padroeiro dos médicos. Isso porque esse santo, que também era um grande pintor, exerceu a Medicina com muita dedicação 46 anos depois da morte de Cristo. Ele não conheceu pessoalmente Jesus, de tal forma que todos os seus evangelhos foram escritos através de narrativas que ele ouviu. Era muito querido pelos romanos, os quais tratava com seus unguentos e massagens enquanto ia pregando o amor a Deus. Pela finura no trato ganhou prestígio das autoridades romanas e visitava constantemente os presídios. Numa dessas visitas encontrou S. Paulo, o soldado romano convertido, e ficaram grandes amigos durante 11 anos, até que a morte de S. Paulo decapitado o fez deixar Roma. S. Lucas sempre dizia ?que a Medicina é eterna, pois vive da dor e do sofrimento humano?. Pasteur, o grande cientista francês, nos deixou uma mensagem: ?não escolhemos na vida o nosso próprio destino, o nosso único dever é desempenhá-lo bem?. Realmente, o dever não é um sentimento, mas um princípio que se oculta dentro de nós mesmos como conduta de nossos atos. Ah! Como era diferente a Medicina do passado em relação a de hoje! No passado o médico era o confidente, o amigo, o conselheiro do doente e de toda a família. Havia a figura do indigente representada pelos desabonados da sorte, mas havia o tempo suficiente para que o médico usasse a sua palavra na recuperação do seu paciente. Francisco de Castro, o grande clínico brasileiro, orador primoroso, afirmava com razão que em torno do médico se forma muitas vezes uma atmosfera de culto, porque de seus lábios se derrama sobre a tristeza das almas a doçura das consolações supremas. Que o médico em qualquer idade, penetre, pois, o fundo das almas e dê sempre aos que sofrem a transfusão da sua amizade, ao lado da técnica e de sua arte. O progresso da Medicina é notável, tecnologia avançadíssima, porém, ao lado desse progresso a relação médico paciente não pode ser quebrada. A Academia Alagoana de Medicina, por meu intermédio, parabeniza todos os médicos de Alagoas, lembrando as grandiosas palavras do clínico Clementino Fraga: ?Bem-aventurados os que amam a Medicina e fazem dela a razão de ser de suas vidas?. (*) É médico.