Opinião
Ecos da inseguran�a
Um dos mais evidentes sinais do esgarçamento do que deveria ser a malha protetora da população brasileira frente ao banditismo é a proliferação das chamadas ?milícias?. Em Alagoas esse problema é tão ou mais evidente que nos demais Estados. Em Maceió, particularmente, a proliferação desses grupos de ?segurança particular? toma ares do incontrolável. Não é para menos, pois as comunidades precisam, por qualquer meio, substituir os agentes responsáveis por lhes oferecer um mínimo de segurança. E como o Estado não responde a contento, a única saída é apelar para grupos que se propõem a fazer esse serviço que deveria ser público. Atendendo a essa demanda surgem ?milícias? de todo tipo, umas razoavelmente organizadas, outras essencialmente improvisadas, todas com alguma participação de agentes públicos da própria área da segurança, sejam policiais civis ou militares. A partir dos portes de armas desses ?empreendedores?, porte esse garantido pelo exercício original da missão constitucional do policiamento formal, as teias são construídas para cada ?milícia?. Nos bairros mais populares, habitados por pessoas de menor poder aquisitivo, as milícias são menos preparadas e provavelmente tenham de lançar mão com mais frequência de métodos e instrumentos da mais pura ilegalidade, como armas e munição adquiridas cada vez mais longe das nomas legais. E a cada passo dado nesse distanciamento, mais probalidades existem para o cometimento de ações típicas do banditismo que dizem combater. Esse foi o caso, até prova em contrário, da chacina do Benedito Bentes. É pura ilusão querer resolver o problema da existência das milícias sem equacionar corretamente o gravíssimo problema da segurança pública Esses grupamentos armados só desaparecerão se o Estado aparecer em seu devido lugar.