Opinião
Perigos evidentes
Deve ser entendido como um aviso o incêndio que destruiu oito moradias na Favela Dique Estrada. Felizmente sem causar vítimas fatais, o acidente sinaliza para os crescentes riscos em comunidades desse tipo. As autoridades precisam atentar para esses alertas. Como todas as favelas, a do Dique Estrada é um amontoado de habitações improvisadas, edificadas invariavelmente em locais inadequados e sempre em crescimento populacional. Gambiarras elétricas em profusão representam um perigo permanente, assim como o lume dos mais diversos e inseguros fogões, acesos dentro de barracos construídos com materiais inflamáveis. Por tudo isso, a sorte parece proteger os desassistidos pela fortuna material com verdadeiras legiões de anjos da guarda, pois não existem explicações palpáveis para que um número maior de acidentes não se abata sobre essas áreas populacionais rotuladas como favelas. Ampliar a presença dos poderes públicos nesses formigueiros humanos parece um sonho distante, quiçá impossível, de ser realizado. E essas populações seguem crescendo e fazendo multiplicar seus próprios riscos. Soluções seguras só com um processo ainda mais amplo de inserção social. Apesar dos inegáveis avanços no processo de inclusão de grande número de famílias de baixa renda, as multidões de habitantes das favelas ainda sobrevivem alienados da urbanidade, expostos a perigos que remontam aos séculos passados, como incêndios provocados por fogueiras rústicas usadas para o trabalho e a subsistência. Enquanto a inserção social não atinge níveis apropriados para a grandeza econômica e enormidade dos potenciais brasileiros, o Estado teria que estar mais presente dessas comunidades, oferecendo-lhes um mínimo de segurança frente aos riscos que todos têm conhecimento há anos.