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Opinião

Reconstruir e construir

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Há quatro meses uma catástrofe natural de proporções nunca vistas na história de Alagoas e Pernambuco se abateu sobre cidades do interior desses estados, provocando mortes, danos materiais e prejuízos que levarão tempo para serem recuperados. Os rios Paraíba e Mundaú foram responsáveis por cheias em Alagoas que destruíram aproximadamente 18.000 casas. Em Pernambuco, os danos provocados pelo Rio Una, na cidade de Palmares, causam espanto a qualquer estudioso ou técnico de recursos hídricos, tamanho o estrago provocado pela onda de cheia que quase varreu a cidade. Localidades de Alagoas, como Santana do Mundaú, Branquinha, Murici e Quebrangulo, também foram quase que destruídas pela força das águas. Muitas lições podem ser tiradas do que ocorreu, tais como o estabelecimento da ação firme de gestão pública no gerenciamento dos recursos hídricos tanto para seu uso quanto para seu controle, como também lições que mostram como se pode atuar de forma planejada e consciente, ainda que em meio ao caos urbano e ao desespero de desabrigados sob risco de doenças e com fome, sem ter referencial ou abrigo para passar uma noite com a família. Uma delas é a capacidade que o Estado de Alagoas, menos estruturado que Pernambuco, demonstrou até agora para lidar com o resultado do desastre. Não se tratou apenas da ação emergencial de fornecer abrigos e comida para as famílias atingidas e sim, paralelamente a esta ação, contratar projetos e obras de reconstrução de casas e sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, como também de escolas e prédios públicos. Uma mobilização coordenada pelo governo de Alagoas, que envolveu a contratação da construção de áreas para barracas e de outras obras de infraestrutura como estradas e pontes, fez com que se pudesse atenuar de forma rápida a questão da moradia e do tráfego. Um desastre como o que aconteceu exige o envolvimento de todas as esferas governamentais (federal, estadual e municipal). Recursos financeiros, materiais e humanos em quantidade e capacitados foram e estão sendo utilizados em Alagoas e Pernambuco para fazer com que, o mais rapidamente possível, sejam construídas casas, preparados os locais de novas cidades ou bairros inteiros, de modo que gradualmente se vá retomando a vida normal nas cidades. Passados quatro meses, apesar das dificuldades e atrasos, Alagoas pode ser considerado um Estado onde o governo fez e vem fazendo a parte que lhe cabe como maior gestor institucional, assumindo com zelo a condução do processo de reconstrução e construção que só pode ser criticado por aqueles que gostariam apenas de autorizar os pagamentos dos contratos, ao invés de realmente se preocupar com a execução de projetos e obras que propiciem aos desabrigados de hoje uma moradia digna em local sanitariamente adequado. (*) É engenheiro civil.

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