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Hist�rica falta de jeito com a seguran�a p�blica

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D. João VI, acovardado com a iminente invasão de Napoleão Bonaparte, foge de Portugal em 1807. Vem para o Brasil com toda a sua corte, incluindo a família real, os funcionários, o cordão de bajuladores e todas as riquezas lusas. Deixava para trás um povo amedrontado e um País quebrado. Logo após seu desembarque nas terras tupiniquins , em 1808, o medroso príncipe criou a Secretaria de Polícia, que organizou a Guarda Real de Polícia, cujo comando foi confiado ao major Nunes Vidigal, um homem implacável, de sangue frio e ferrenho perseguidor de negros, principalmente capoeiras, que ele identificava ? injustamente ? como assaltantes que aterrorizavam as cercanias do Rio de Janeiro. Foi nesse período que se iniciou a formação das polícias militares. O temido Major Vidigal jamais imaginou que o problema envolvia a exclusão da qual eram vítimas os pobres e negros libertos que, devido à insensatez e ganância dos nobres, passavam as piores privações e tinham que habitar os piores lugares. Se, na época, houvesse planejamento estratégico (ausente até hoje) se teria evitado, na origem, a proliferação de favelas, onde as condições sociais descem a zero e o abandono do poder público cria terrenos favoráveis ao crescimento da violência. Por falar em terreno, a propriedade cedida pela coroa ao Major Vidigal por seus ?relevantes serviços?, é o lugar onde hoje está instalada uma das maiores comunidades cariocas: a Favela do Vidigal. O primeiro reconhecimento à segurança das pessoas veio com a Constituição de 1824, outorgada por dom Pedro I. Porém, com um monarca tido como ?avaro, briguento e fanfarrão?, além de implacável libertino, a polícia segue fugindo do foco de combate ao crime e à violência. Os chefes de polícia preferem gozar da teia de favores do Império e pouco se lixam para a segurança dos súditos de sua majestade. Na república, o cenário não se altera. O aparato policial, sem mudanças estruturantes, segue servindo a interesses políticos e ao prestígio pessoal de seus comandantes. Aos policiais ?rasos?, resta a triste paga (salário) e o ?direito? de não poder reclamar. Dá-se à polícia um papel ainda mais cruel e desfocado de seu objetivo: a polícia política, a serviço da repressão na era Vargas e no Regime Militar. A polícia atual parece um eterno retorno aos tempos passados. O Brasil não consegue resolver o problema da violência, até porque ainda o encara ? como fazia o major Vidigal no século XIX ? como um problema somente de repressão. Sem profissionalização e mudanças profundas, o Brasil ratifica sua falta de jeito com a polícia. Bem, pelo menos a força policial não é mais usada como meio de status, nem com objetivos políticos ou como usufruto das benesses do Estado. Será? Bom, daqui por diante, fica por conta do caro leitor... (*) É sargento da PM.

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