Opinião
Rezar sempre, sem desfalecer...
O Evangelho do Domingo passado tratou da oração sem desfalecimento. Nunca me canso de meditar sobre este tema da oração, pois se trata da atitude vital, fundamental do crente. Quem não reza é ateu e quem reza se salva! É assim. Ponto e basta. E explico. A oração é a expressão concreta, de nossa abertura para o infinito, para o transcendente. Rezar é reconhecer e tomar sempre maior consciência de que não viemos de nós mesmos, não vamos para nós mesmos e não nos bastamos a nós mesmos. Rezar é viver diante de um outro, é reconhecer, concretamente que esse outro age no mundo e na vida concreta. Assim, a oração, numa atitude de abertura e obediência amorosa para com Deus, exprime todo um modo de ser e de compreender a existência. Por isso mesmo quem não reza é ateu: ainda que afirme crer, vive como se Deus não existisse; ainda que fale de Deus, tem somente a si próprio como seu critério e referência... Por outro lado, quem reza se salva, pois, reconhecendo concretamente o Outro, tende a viver nele centrado, cônscio da própria dependência, da própria limitação e, portanto, vive na verdade. E aqui está, precisamente, a salvação: viver na verdade; não fazer da vida uma ilusão, uma quimera maldita que nos torna vazios e inconsistentes como bolhas... Mas, atenção: rezar é entrar na lógica, nos tempos e nos modos de Deus. Tenho esta experiência na minha pobre vida: toda vez que rezo vejo e sinto a partir de Deus e não de mim; cada vez que rezo, encontro a paz de quem não sabe tudo, sabe muito pouco, mas sabe o essencial: tudo está nas mãos de Deus, Deus amoroso, providente, presente, atuante, humilde, silencioso, atencioso, prestimoso... E, então, descubro-me pacificado e cheio de força ? que não é minha nem se funda em mim... Rezar, rezar sempre, rezar sem jamais desfalecer, rezar saindo de si e jogando-se em Deus, rezar para deixar a vida neste tempo daqui ser fecundada pela eternidade de lá, do coração de Deus. (*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.