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Rei eterno

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Apropriadamente o Caderno B da Gazeta de Alagoas deste domingo dedicou sua pauta a Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Conforme explicado logo no primeiro parágrafo, não há o que estranhar por aquele suplemento não ser de esporte, afinal o jogador que completou 70 anos é mais que um craque: é um artista. Maior jogador de futebol de todos os tempos em todo o globo, Pelé merece todas as homenagens. Preferencialmente em vida e saúde, pois durante as décadas em que jogou bola transmitiu lições de vida e saúde, além de ética, cidadania e profissionalismo para todos. É um grande exemplo. Poder-se-ia encontrar deslizes no maior craque universal do futebol? Sem dúvida que sim, posto ele ser humano e a santidade nunca esteve entre as metas perseguidas pelo dono da camisa 10. Nem beatificação nem canonização estão no rol das distinções que possam ser conferidas a Edson Arantes do Nascimento. As demais honrarias, ele as merece. Um dos campos onde o Rei saiu-se bem, apesar de incompreendido pela maioria dos cronistas, é o da cidadania. Pelé brilhou especialmente durante as trevas de uma ditadura e, como não poderia deixar de ser, foi cortejado por oposição e situação. Driblou uns e outros e sua clássica declaração de que ?o brasileiro não está preparado para votar? deveria merecer, antes de qualquer coisa, uma funda reflexão ainda hoje. Criticado por, supostamente, não ter se engajado mos movimentos contra a discriminação racial, foi no entretanto, o personagem mais assediado pela imprensa e o que mais entusiasmo causou quando de sua visita a União dos Palmares, no dia 20 de novembro de 1995, quando ali se comemorava os 300 anos de Zumbi. Pelé deu uma lição, ainda hoje não entendida por muitos de nossos craques, de que o talento precisa ser calçado pelo profissionalismo. Nada mais justo, portanto, que a editoria cultural se dedicasse a esse personagem. Pelé, aos 70, é quase lenda, é arte e cultura.

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