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Opinião

E agora, eleitor?

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Vivenciamos um período eleitoral cheio de propostas de trabalho e apresentação de soluções para antigos e novos problemas que atingem nossa sociedade. Algumas dessas propostas já foram escolhidas pela população como necessidades e urgências: educação, saúde, segurança, inclusão social, entre outras. Parte dos propositores já está devidamente escolhida, a exemplo dos deputados estaduais, federais e senadores. Restam agora, em alguns estados, os governadores e, para todos os brasileiros, a definição da Presidência da República. Desses últimos, ainda rolará muita água por baixo da ponte, muitas discussões e ajustes nas propostas iniciais de trabalho. O segundo turno é quase uma nova eleição. Oferece aos eleitores tempo de repensar atitudes e posições anteriormente firmadas. Um comentarista político costuma repetir: ?O horário eleitoral que quase já se foi é semelhante ao retorno das naves espaciais a terra. Se alguma pegar o ângulo errado para entrar na atmosfera da eleição, corre o risco de se incinerar.? Não devemos abrir mão do direito de acompanhar o trabalho dos nossos representantes. Aliás, é um momento oportuno para entender a forma como conduzirão e desempenharão seu papel diante dos caminhos políticos. Muitos deles esquecem de imediato os compromissos assumidos e já começam a desviar-se das propostas há pouco tempo lançadas. No passado, havia ditos espirituosos comumente repetidos nas eleições: ?Voto dado é rolete chupado?, ?palavra de político não envolve questões de honra?, o que, sem dúvida, é uma injustiça em relação àqueles que cumprem o seu dever de bem representar a população e seus interesses. Vale repetir: é verdade que não temos o hábito de fiscalizar as ações de nossos representantes, mas isso não quer dizer que isso não deva ser mudado. Temos o dever de cobrar e o direito de receber um retorno sobre os projetos realizados por eles. Eleitor cidadão exige isso. Sem dúvida, caros leitores-eleitores, nossa tarefa não acaba no primeiro turno e muito menos no segundo. Nossa tarefa deve ser a de fiscais da ?coisa pública?, pois só assim poderemos garantir mais chances a uma verdadeira cidadania. Temos nas mãos o melhor dos instrumentos da democracia, que é o voto. Com ele o eleitor diz o que quiser, e diz, também, o que não quer. Como adverte Norberto Bobbio: ?A apatia política dos cidadãos compromete o futuro da democracia. É necessário reforçar a necessidade de uma educação que forme cidadãos ativos, participantes, capazes de julgar e escolher ? indispensáveis numa democracia.? (*) É médico.

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