Opinião
Uma onda de horror
Inevitável: a onda de assassinatos de moradores de rua em Maceió chama a atenção do Brasil e do mundo. E isto representa um grande alento para que as investigações venham a produzir resultados mais esclarecedores. Desde que essas ocorrências passaram a ser registradas pela mídia já se assinalam 23 assassinatos ao longo dos dez primeiros meses deste ano. Uma estatística horrenda e vergonhosa. O mais recente assassinato, crime perpetrado na noite de terça-feira, apresenta evidências de participação do crime organizado, em função da refinada arma usada, uma moderna pistola automática PT-380. A hipótese de ?briga entre moradores de rua?, neste caso, está natimorta pelos projéteis disparados por essa sofisticada semiautomática contra o flanelinha José Sérgio dos Santos. Esse poder bélico é equivalente a uma assinatura indelével: crime organizado. Uma das suspeitas mais fortes para esta série de homicídios ainda é o envolvimento com o tráfico de drogas, o que combina com o impressionante crescimento do comércio do crack, ou ?nóia?, nome pelo qual essa substância é conhecida em Alagoas. Outra suspeita que não pode ser afastada de pronto é o envolvimento de grupos de ?justiceiros? interessados em eliminar personagens que seriam ?incômodos? a pessoas que se consideram acima da lei e imunes aos sentimentos humanitários. Seja qual for a hipótese que venha a se confirmar ao fim e ao cabo das investigações, é necessário que a vida dos desvalidos conhecidos como ?moradores de rua? seja preservada. As entidades não-governamentais devem colaborar com as autoridades responsáveis pela segurança pública para que um plano emergencial possa oferecer um suporte mínimo para essas pessoas, visto que elas fazem parte de um grupo de (evidente) risco. Essa onda de horror tem de ser detida.