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Opinião

Ju�ara – a Paju�ara ancestral

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O bairro de Pajuçara pode se orgulhar de ser um dos pontos mais antigos de Maceió. Mencionado inicialmente por Melo Morais, na sua Crônica Geral do Brasil, apenas por ?Juçara?, referindo-se às cartas de Gaspar Barlaeus, na época da invasão holandesa, Craveiro Costa em seu livro Maceió transcreve o texto em nota de rodapé: Continuando pela costa do mar está o Porto de Jaraguá e mais adiante o de Juçara. O local onde está hoje situada a cidade de Maceió, capital da Província das Alagoas, não tinha uma só casa, e nem vestígio de morador, e o mesmo nos dois portos de mar. De Jaraguá Barlaeus realmente se refere em seu livro dizendo: O conde Maurício, para aliviar os soldados fatigados da marcha, embarcando-os na Barra Grande (é uma enseada espaçosa, comportando mais de vinte naus, vizinha de Porto Calvo), saltou em terra junto à ponta de Jaraguá (jaragoa), não longe das Alagoas, e perseguiu o inimigo até o Rio de São Francisco. Mas isto teria acontecido depois do ano de 1637, data da chegada do príncipe à capitania de Pernambuco. O fato de nos ?mapas de Barlaeus? não constarem nenhuma habitação, conforme situa Craveiro Costa é muito vago, um dos mapas a que certamente se refere, da Capitania de Pernambuco, data de 1643, foi feito por George Macgrow, é uma extensa faixa litorânea que valoriza a topografia, o Rio São Francisco e outros rios e lagoas, não faz alusão sequer a Porto Calvo(Bom Sucesso). Porém o certo é que em 1611, aparece a menção a uma ?casa de telha? pertencente a Manoel Antônio Duro, na escritura de doação lavrada na Villa de Olinda, na capitania de Pernambuco, no cartório público de notas, perante o tabelião Barnabé do Couto Lemos. Manoel Antônio Duro recebia a doação de Diogo Soares, português de Lisboa, que se fazia representar, através de uma procuração lavrada em Portugal, no Cartório de Luiz Monteiro Silva, de Lisboa, por Henrique de Carvalho, e que representava também os interesses do alcaide-mor da Villa de Santa Maria Madalena das Alagoas do Sul, Gabriel Soares de Pina, filho de Diogo Soares. O que certamente Craveiro Costa se reporta é o fato de que não se pode precisar desde quando Manoel Antônio Duro possuía esta casa de telha, que antes parece ter sido de um outro ?Manoel? que Melo Morais não consegue decifrar. Este primeiro proprietário, pode ter perdido a posse, por não desenvolver as terras. E isto fica claro, na escritura de Manoel Antônio Duro, onde havia uma cláusula de exigência para que dentro de um ano, fosse construída uma casa de sobrado coberta de telha e complementa: e não fazendo a dita casa perderá a dita terra. A escritura de doação não menciona nenhum engenho, no entanto um engenho, existente nas redondezas da atual praça D. Pedro II, teria dado origem à cidade. É lógico, que este engenho estava nas mesmas terras de Manoel Antônio Duro. (*) É escritor e artista plástico.

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