Opinião
Enchentes recorrentes
Chuvas de verão não são novidade, mas a repentina queda d?água desabada anteontem deu um susto nos maceioenses. Além do banho indesejado, os engarrafamentos foram gigantescos, graças a grandes lagoas formadas em pontos mais baixos da capital. Segundo a prefeitura, as galerias destinadas ao recolhimento das águas pluviais ficaram rapidamente entupidas em função do grande número de material de campanha jogado às ruas, como panfletos e cartazes de papel, além de vários tipos de adesivos e outros produtos plásticos. Procede a explicação, pois é pública e notória a deseducação de grande parte da população, teimosa em jogar lixo nas vias públicas sem nenhum constrangimento. Esse vício nocivo amplia-se durante as campanhas eleitorais como decorrência natural do extraordinário volume de descartáveis usados para pedir o voto alheio. Mas nada disso é novidade. Ou seja: Sabe-se que chove (e repentinamente) no verão; sabe-se que o povo joga lixo nas ruas; sabe-se que durante as campanhas eleitorais multiplica-se o volume de lixo descartado indevidamente. Não seria melhor, manter-se as galerias de águas pluviais permanentemente limpas? Especialmente nos períodos onde se sabe do volume imenso de lixo a entupir bueiros de todos os diâmetros é indispensável um esforço preventivo. Sabemos também que determinados perímetros são recorrentemente alagados (como a região próxima ao Cepa, no Farol) a cada chuvarada com maior volume d?água. Por que esses locais não são mapeados? Como são pontos conhecidos há décadas, nada justifica que não tenham sido, até agora, alvo de obras destinadas a resolver ou, pelo menos, minorar o problema. Felizmente nenhum acidente mais grave ocorreu em consequência da chuvarada de quinta-feira. Mas a sorte pode não estar sempre ao nosso lado. Os pontos vulneráveis a alagamento seguem em seus mesmos lugares; o lixo continua a ser atirado ao acaso (independente de campanhas); as chuvas, repentinas ou não, continuarão a cair no inverno e no verão. Aguardaremos a próxima enchente como se nada soubéssemos.