Opinião
Boatos, s� boatos
Se vivo fosse, o doutor Ari Pitombo estaria vivendo momentos de grande trabalho. Pitombo (tio do consagrado Toroca), antes de ser deputado federal pelo antigo PTB de Vargas , foi, nos anos quarenta do século passado, secretário do Interior, cargo que equivale hoje ao da Segurança. Incomodado com a boataria que grassava solta em Maceió, resolveu criar a ?Galeria dos Boateiros?, um mural afixado numa farmácia do Centro, com a foto do cidadão. Embaixo, uma descrição do crime (boato) cometido. A exposição certamente gerou muito aborrecimento. Sobretudo pelo fato de figuras condestáveis da sociedade ali se encontrarem, sujeitas à curiosidade e ao deboche. As más línguas diziam que aquela era uma forma de desmoralizar as oposições. Ari Pitombo veio à tona por conta da boataria deste fim de campanha para presidente e, em Alagoas, para governador. Dentro do possível sintetizei o que se diz sobre o candidato José Serra, acusações que ele nega peremptoriamente. A mais contundente é a da incoercível tendência para a privatização. De fato, depois das ondas de privatização, no governo FHC, da Vale e das empresas de telefonia, dentre outras, grudou no candidato o espírito ?privatizandi?. Agora estariam na mira a Petrobras, o BB, os sem-terra, a Ufal, enfim, até o Bruno Maranhão. No Brasil, na China, em Cuba e na Venezuela, isso é pecado mortal. O que se propala é que Serra odeia pobre e que seu primeiro ato é acabar com o Bolsa Família. Sobre a candidata Dilma Rousseff, nada se tem a dizer de ruim. É um ser humano fantástico. Aliás, a gente olha pra ela e sente que ela é uma mãezona maravilhosa pronta para te fazer um afago. Espremendo aqui e acolá, diz-se apenas (maldosamente) que era uma terrorista, que iria implantar uma ditadura comunista. Que balela, gente. Dilma foi presa por acaso. Sempre foi uma democrata-cristã. Nunca encomendou um dossiê. Nem aquele sobre d. Ruth. Mais recentemente, boatejou-se que seu membro superior direito (d. Erenice Guerra), teria levado maus costumes para a Casa Civil, transformando-a numa Casa de Noca. A ?taxa de sucesso? corria frouxa . Tudo mentira dos jornais. Os comentários não passam de desespero da oposição. Por fim, disseminou-se a ideia de que a candidata era, ?pessoalmente?, favorável ao aborto. Um absurdo! A imprensa pagou a uma sósia de Dilma e forjou a coisa. O mais importante: Erenice não vai voltar. Muito menos o glorioso Zé Dirceu. Teremos uma presidente amputada. (*)É médico.