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Opinião

Chico e a campanha

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Chico Buarque de Holanda justificou o seu voto para Dilma Roussef,alegando que o Brasil precisava ?falar grosso ? com o eterno vilão, os EUA.Não precisava justificar nada, os grandes artistas vivem em um mundo à parte, no qual, como recentemente falou o Nobel de literatura, Vargas Llosa, as neuroses precisam ser cultivadas e jamais reprimidas, pois são a fonte de sua obra. Ao se dedicar em tempo integral à busca de inspiração para novas maravilhas, Chico desinformou-se sobre o mundo atual, onde a China, com sua moeda artificialmente desvalorizada e seu operariado trabalhando em regime semiescravo, abarrota os mercados mundiais com produtos baratíssimos e desbanca os manufaturados brasileiros, é o vilão real, fechando fábricas pelo mundo afora,em qualquer lugar onde tanto governo, quanto indústria e, principalmente, operários trabalhem em regime civilizado. Chico pode se dar ao luxo de inclinar-se às marolas da ideologia, da desatualização e da fantasia, o que não poderia ocorrer com os candidatos à Presidência da República.Estes deveriam estar atentos ao que acontece na França, que precisou alongar a idade da aposentadoria, para que as finanças públicas não estourassem; da Inglaterra, que está reduzindo o número de servidores públicos e até de Cuba, que já começou a demitir funcionários públicos. Serra, em arroubo populista, desprezando o legado tucano de controle das contas públicas, fez promessas de campanha que implicam em indeglutíveis elevações dos gastos públicos (aumento de salário mínimo, 13º para Bolsa Família), Dilma, persistência de um governo que aumentou tremendamente os gastos públicos, incluindo aí a elevação de 30% nos quadros das estatais, é a continuidade do modelo que se traduz na manutenção de juros altíssimos e na apreciação desmedida do Real, o que inviabiliza empresas nacionais. Ambos os candidatos mostraram-se estatizantes, em total desacordo com o que ocorre mundialmente, inclusive em países comunistas, como Cuba. Serra pela premência de ganhar votos, perdeu novamente a chance de debater seriamente a questão; Dilma, pela necessidade do PT de manter grande número de agregados em cargos públicos com altos salários; ambos ludibriaram o eleitor. Quem ganhar a eleição terá de lidar com o mundo real, não poderá mais embromar. Chico Buarque, poderá simplesmente cantar: ? Pois é/ Fica o dito e redito pelo não dito? e continuar sua trajetória brilhante de compositor de belíssimas canções, autor de livros-cabeça, de óperas populares deslumbrantes, distante deste mundo cruel chamado realidade. (*) É médico.

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