Opinião
O dia depois do voto
Findas as eleições, poder-se-ia dizer da impropriedade de seguirem adiante as paixões de campanha. A hora é de serem serenados os ânimos. Isto é parcialmente verdadeiro, posto não ser tudo que possa ser dito como fundamental para o dia seguinte da votação. O elemento passional é parte integrante e indissociável da prática política. Extirpá-lo é impossível, e a ressaca das urnas não amaina a paixão eleitoral, muito pelo contrário: Os ânimos são turbinados pelo êxtase da vitória e pela frustração da derrota, umas e outras almas estão inquietas. Neste momento deve falar mais alto o bom senso e freios devem ser colocados a quem comemora e a quem lamenta, pois a democracia é assim mesmo e daqui a pouco teremos novas eleições, e novos resultados frustrarão uns e empolgarão outros. E assim caminha a humanidade em sua trilha civilizatória. O mais importante agora é cada um, cada partido, cada grupo político, independente do resultado alcançado nas urnas, contrabalançar a emoção com a razão e comprometer-se com a tranquilidade do dia seguinte. Em Alagoas e no Brasil as urnas referendaram a continuidade dos grupos políticos que estavam no poder. Em ambas as situações as candidaturas vitoriosas precisam de, passados os primeiros momentos de euforia pelos resultados auferidos, investirem na humildade, na redução das arestas para com os adversários e, essencialmente, procederem uma releitura do (pouco) que foi debatido durante a campanha. Muitos dos problemas apontados, relativos a falhas governamentais, precisam de respostas efetivas. O dia seguinte ao do voto é momento de reflexão. Cantar vitórias e chorar revezes nada acrescentam à cidadania. Avaliar os caminhos percorridos, buscar superar as próprias deficiências e erros tendo como base o enfrentamento recém-encerrado é uma atitude amadurecida e indispensável.