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Opinião

A campanha pol�tica e a dengue

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O leitor perguntará qual a relação de causa e efeito que poderá existir entre dois fatos tão diferentes como aqueles referidos no título deste artigo. Um, que passo a citar, embora existam outros fatores predisponentes. Durante o pleito eleitoral ? e onde houve segundo turno, o período foi maior ? arrefeceu ou desapareceu, em todas as instâncias de poder, toda a divulgação de combate à dengue, sua causa e suas consequências. Coincidência ou não, os casos de dengue aumentaram durante esse período, não somente em Alagoas, mas na maioria dos Estados brasileiros. Uma doença infecciosa produzida por um vírus, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, com sintomatologia muitas vezes preocupante, hemorrágica, deixando sequelas. Como um mosquito tão minúsculo pode ser veículo de uma doença tão grave? Como esse inseto desafia a saúde pública não somente no Brasil, mas em grande número de países? Recentemente, foi divulgado que cidades situadas na fronteira do Rio Grande do Sul (Argentina e Paraguai) fizeram um pacto de combate à dengue. De que adiantaria combater do lado brasileiro, se unicamente uma ponte nos liga a outro País e um rio é divisa com um outro? Mas voltemos ao ponto principal. Em Alagoas, segundo estatísticas do Ministério da Saúde, os 102 municípios do Estado notificaram um total de 48.395 casos de suspeita de dengue até o início do mês de outubro. Destes casos, 29.000 foram confirmados. Dos casos graves, 19 foram a óbito. Se estudarmos a evolução nos últimos quatro anos, teremos os seguintes dados: em 2007, foram 11.153 casos; em 2008, 18.933; em 2009, apenas 5.265 casos; em 2010, até o início de outubro, já foram notificados 48.395 casos. Um outro fato nos chama a atenção: na clínica, era observado que crianças de até dois anos tinham quase total imunidade. A incidência atual não confirma mais essa possível imunidade. Entretanto, ao utilizar esses dados, o que desejo é pedir aos poderes públicos que voltem as campanhas contra a dengue nos meios de comunicação; que os soldados contra a dengue se multipliquem na população, como ação solidária. Não faz muito tempo eu escrevia que o ser humano representa a um tempo o supremo poder e a extrema miséria. Senhor dos espaços siderais (já caminhou na lua), pode ser destruído por um microrganismo; comandando moléculas e átomos pode ser vítima de um vírus, aniquilado por uma radiação; criador das sínteses orgânicas não está livre de ver sua inteligência soçobrar como consequência de pequenas alterações de seu bioquimismo. (*) É médico.

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