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Os factoides do coronel

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Contrariando o que diz a História e com o pretexto de desviar a atenção diante das acusações de que abrigava vários líderes das Farc, Hugo Chávez promoveu um verdadeiro aparato, madrugada a dentro, sob as luzes e câmeras da televisão estatal, para exumar os restos mortais de Simon Bolívar, desconfiado de que o libertador tenha sido assassinado, em 1830, por um oficial colombiano. Não teve a sorte de Hamlet, no drama Shakespeariano, no qual o fantasma do pai apareceu-lhe acusando o próprio irmão de ser seu assassino. Mas o motivo principal para tal espetáculo era acirrar as desavenças com o então presidente colombiano Álvaro Uribe e manter alienados seus governados dos problemas pelos quais atravessa seu País. Já em 2006, olhou o coronel Chávez para o Escudo de Armas da Venezuela e desgostou-se do posicionamento do cavalo branco que corria da esquerda para a direita. Intrigado, ordenou que fosse redesenhado e que o cavalo se deslocasse da direita para a esquerda, justificando sua ideologia marxista. Ignorava que, na Heráldica, ciência responsável pelo estudo de escudos e afins, o posicionamento de esquerda e direita é ditado pela figura do próprio escudo. Ou seja, o que é esquerda para quem olha, na realidade é direita para o desenho. E vice-versa. No tradicional escudo de seu País galopava o equino na direção desejada, levando o presidente, na opinião do jornalista Yuri Vieira, a cometer um ?ato falho?, mas na minha, mais uma de suas loucuras. Em recente bravata ? poucos devem ter assistido em vídeo na internet ? na campanha para eleger políticos partidários, retorna o aprendiz de ditador, ainda na televisão estatal, para, desta feita, fazer inveja até aos garotos propaganda de grandes magazines. Vestido em seu macacão tricolor ? amarelo, azul e vermelho ? cores da Venezuela, na presença de grande número de espectadores, apresenta aparelhos eletrodomésticos fabricados por indústrias genuinamente chinesas, comparando-os aos de marcas mundialmente consagradas. Mas, o que salienta não é a qualidade nem sob que regime de mão de obra são fabricadas tais peças. Resume-se a confrontar preços e origem. ?Compadre, esta lavadora de fabricação socialista custa tantos bolívares. Já esta de fabricação capitalista custa muito mais?. Após fazer o mesmo com outros aparelhos achegou-se a um refrigerador e, com seu estilo populista, abriu a porta distribuindo, entre as crianças presentes, várias guloseimas. Se tivesse esperado um pouco mais poderia seguir o exemplo de seu colega brasileiro, pois, já tendo o macacão e muito petróleo, faria um carnaval idêntico, melando-se de óleo em pleno alto mar. (*) É economista.

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