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A “f�nix” com roupagem de concurseira

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A sociedade pós-moderna é marcada pela globalização, consumismo desenfreado e individualismo exacerbado. Por causa desses traços impregnados no nosso dia a dia somos ?condicionados? ao imediatismo em tudo, inclusive na informação e no conhecimento: aceitamos sem refletir, pois não ?dá tempo? para absorver com senso crítico o volume crescente do saber (?tenho de passar logo no concurso?? sussurra o concurseiro). O ramo jurídico não fugiu à regra. A reintrodução da ?coisa ética? na ordem do dia teve como colaborador, não expressivo, diga-se de passagem, o mass media. Tudo converge para a ética; é a ?bola da vez?. Inevitavelmente, o receio dos concurseiros tornou-se realidade: a ética foi incorporada aos concursos públicos ? uma ?fênix? com roupagem de concurseira. Apesar de a palavra ética estar na ?crista da onda?, não podemos dizer que há um espaço real para a discussão das questões éticas na atual sociedade. As faculdades ainda se estruturam para tanto; os cursinhos preparatórios se antecipam a tudo, mas destinam uma carga horária mínima às matérias; falta o hábito dos estudantes de debater questões como ética, filosofia, psicologia jurídica, etc. Discutir ética e suas implicações em nosso meio jurídico demanda tempo, reflexão, pesquisas, altruísmo, consciência moral coletiva; esforços que não estamos dispostos, por vezes, a envidar, pois o tempo é o maior adversário do concurseiro. Para que a virtude ética seja hábito, precisamos de tempo, cuidados diários, reflexão, responsabilidade individual e social, afetividade e convivência; requisitos que estão na contramão do voraz nicho dos concursos. Assumindo o compromisso ético, seja na família, igreja, política, empresas, faculdades, cursinhos preparatórios ou dentro do serviço público, as vantagens surgirão naturalmente. A primeira seria a disseminação da ?pedagogia da ética?, com reflexos no respeito à dignidade própria e alheia. Outra, é que o ?agir e pensar bem ? ser ético? contribuiria com a saúde moral e financeira, favorecendo o clima harmônico no meio social. A grife ?sou ético? está virando modismo. Sua implementação está em todas as searas da vida, incluindo a dos concursos públicos. A ?indiferença ética?, outrora tão comum, hoje não encontra guarida; quem assim age está outside, démodé. Quem sabe esse seja o ?jeitinho brasileiro? de fazer com que a ética faça parte da nossa cultura jurídica e não apenas ser um look do momento. (*) É analista Processual do Ministério Público Federal em Alagoas.

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