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Opinião

Toler�ncia e rigor

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Mais uma vez um protesto de familiares de presos chama a atenção para a realidade do sistema prisional alagoano. Novamente as mulheres (esposas, mães, irmãs, namoradas, parentes e aderentes) ligadas aos apenados tomam a linha de frente da batalha contra o que consideram injustiças. Desta vez, como em outras ocasiões, a arenga enveredou pela tortuosa via da baderna, com ônibus sendo apedrejados, em mais um prejuízo cujos responsáveis não responderão pelos danos, a não ser pelo constrangimento passageiro de uma rápida detenção. Um estímulo para novas manifestações do mesmo tipo. Motivos para novos protestos, certamente, não irão faltar. E é certo que parentes e aderentes dos presos terão suas razões, pois muitas são as iniciativas pretendidas em relação a seus entes queridos que serão bloqueadas pelos responsáveis pelo sistema prisional. Sensibilidade para atender a essas pessoas em suas demandas solidárias pode não ser uma tarefa simples, mas é indispensável que seja desburocratizado o conjunto de procedimentos estabelecido para a convivência de quem está do lado de fora e quem está do lado dentro das grades. Essa desburocratização, porém, não pode nem deve ser entendida como um afrouxamento das normas de segurança. Nunca será possível descuidar do mais rigoroso controle do tráfico (drogas, armas, meios de comunicação...) que usa visitantes dos presos como via de tráfego ilegal para o interior dos presídios. A uma maior tolerância nos contatos entre os lados internos e externos dos presídios deve corresponder um rigor muito maior na fiscalização e um esforço muito mais radical no impedimento de todo e qualquer tipo de tráfico em benefício do crime organizado. Tolerância e rigor são valores que devem crescer em igual intensidade em casos como esse.

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